PF intima advogado a entregar dossiê com nomes de envolvidos
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quarta-feira, 06 de agosto de 1997
Paulo Ubiratan Londrina 
A Polícia Federal de Londrina intimou para hoje às 16 horas o advogado José Augusto Rodrigues Formigoni para que entregue o dossiê que afirmou possuir, envolvendo políticos no rombo de R$ 21 milhões (valor atualizado) na agência do Banestado de Cambé. O golpe foi descoberto em março de 96. O advogado é defensor do ex-gerente daquela agência Henrique Faudon Henrique, que teria facilitado descontos de duplicatas frias das empresas cambeenses Freezagro, Daprimaq-Comércio de Máquinas Rodoviárias, MRC-Comércio de Representação para Solda, Grupo Delgiro (composto de sete empresas), Farmavet e Grupo Setário.
Segundo informações passadas pela Receita Estadual, a empresa Farmavet nunca funcionou, e teria sido montada apenas para servir como fachada para os golpes.
A intimação ao advogado se fundamentou em afirmações feitas por ele em entrevista ao Jornal do Meio Dia, da rede CNT, na última terça-feira. Ele afirmou possuir documentos envolvendo políticos no caso do rombo e que seu cliente foi desligado injustamente das funções de gerente da agência. O advogado não citou nomes. A PF quer saber se as denúncias procedem e quem estaria envolvido na falcatrua.
O advogado (José Rodrigues), ao dizer na televisão que possui material incriminador, vai nos ajudar a apurar quem mais está envolvido no rombo do Banestado. Os inquéritos estão sendo desenvolvidos plenamente: já ouvimos os acusados e começamos a ouvir as 76 testemunhas do caso. Quem sabe, com os documentos que o advogado diz possuir, poderemos encurtar os caminhos das investigações, concluir os inquéritos em tempo menor e ele inocentar seu cliente, afirmou o chefe da delegacia da PF em Londrina, Roberto Morel.
O delegado que preside os inquéritos, João Luis do Prado, afirmou ontem que, além dos proprietários das empresas envolvidas no golpe, o ex-gerente Henrique Faudon também foi indiciado. O advogado afirmou na imprensa que seu cliente não fez desconto de duplicatas, mas que elas serviram para garantir débitos que vinham sendo somados desde 1994.
O delegado Prado mostrou ontem 522 duplicatas frias atestadas pela Receita Federal. Ele também está investigando diversas escrituras frias de propriedades inexistentes apresentadas ao Banestado como garantias. O delegado afirmou que existe a possibilidade destes documentos falsos terem sido elaborados com a conivência de cartórios de algumas cidades do Paraná.


