A Polícia Federal indiciou ontem, no inquérito que investiga a comercialização e tráfico de bebês de Caçador (SC), a enfermeira Eva Szynczak, que há 30 anos trabalhava com o clínico geral Fauzi Farah. A enfermeira foi ouvida pelo delegado Rogério Ortiz, responsável pelo caso. Eva confessou ter hospedado duas mães em sua casa, em Curitiba, encaminhadas pela mulher do médico, Nancy Farah, mas negou qualquer envolvimento no tráfico de bebês.
Mesmo com o depoimento da enfermeira, o delegado acredita que tem argumentos suficientes para incluí-la no inquérito e indiciá-la por formação de quadrilha, comércio de bebês e adoção irregular de crianças. O médico e a mulher não foram encontrados pela polícia que, por enquanto, não pretende pedir a prisão preventiva do casal. ‘‘Vamos aguardar que eles retornem da suposta viagem. Se não retornarem em duas semanas, tomaremos as providências jurídicas cabíveis’’, concluiu.
Além da enfermeira, foram ouvidas outras três pessoas que conheciam e teriam trabalhado com o casal. Os nomes destas pessoas ainda estão sendo mantidos em sigilo por segurança. Ortiz afirmou que todas as testemunhas confirmaram as suspeitas da polícia. ‘‘Eu não tenho dúvidas de que todas as crianças eram destinadas para a adoção pelo médico e sua esposa’’, confirmou Ortiz.
A polícia trabalha com todas as possibilidades: tráfico para adoção no Brasil, para adoção no Exterior e para comercialização de órgãos. ‘‘Não podemos descartar nenhuma possibilidade’’, disse ele. De acordo com Ortiz, a única pessoa que poderia dar detalhes sobre o paradeiro dos bebês é o médico que, de acordo com informações do porteiro do prédio onde Farah tem uma clínica, está em São Paulo com a mulher para participar do enterro de um parente.
Para Ortiz, o clínico é a pessoa mais importante da suposta quadrilha e, por esta razão, a polícia decidiu investigá-lo somente agora. ‘‘Pode ser que ele ainda saiba onde estão as crianças e, através dele, chegaremos aos demais integrantes da quadrilha’’, afirmou Ortiz.

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