A Polícia Federal de Foz do Iguaçu indiciou anteontem 12 pessoas acusadas de participar de um esquema de roubo de mercadorias apreendidas pela Receita Federal. A quadrilha roubava, principalmente, cigarros e começou a ser desmantelada há duas semanas quando dois integrantes foram presos em flagrante pela polícia.
Entre os envolvidos no esquema está o auditor da Receita Federal, Waldir Vanzela Junior, o diretor da empresa Ambiental, que presta serviço de segurança para a RF, Vitoriano Sales da Silva, o arrendatário do restaurante da Associação dos Funcionários da RF, Paulo Delmar Estigarribia, e o garçom do restaurante, Marcos Antonio Ponce. Também foram indiciados Gilmar Safanelli e João Michalak Junior, que seriam os receptadores das mercadorias, e os vigilantes Hugo Vilalva, Wilson Carlos de Castro, João Almeida, Dilceu Vicente Gomes, José Anselmo de Moraes Soares e Maurício Sherer.
A polícia descobriu como a quadrilha agia depois que um vigilante, cujo nome não foi revelado, que se recusou a participar do esquema, denunciou à Polícia Federal como as mercadorias eram subtraídas do depósito da Receita Federal.
O delegado da PF, Davi Makarausky, disse que um dos fatores que levou a polícia a descobrir a participação dos vigilantes foi a falta de rotatividade nos postos de segurança. ‘‘Nos chamou a atenção o fato da coordenação do esquema manter sempre os mesmos funcionários nos postos em que a mercadoria desviada passava’’, salientou.
Segundo Makarausky, os indiciados vão responder por crime de peculato (roubo, subtração ou desvio de bens públicos por funcionários públicos) e ainda por receptação de produto proveniente de crime.
A delegada da Receita Federal em Foz do Iguaçu, Maria Angélica Toledo Castro, disse ontem que o órgão abriu inquérito administrativo para apurar o envolvimento do auditor acusado de participar da quadrilha. ‘‘Existe apenas uma denúncia verbal, não houve flagrante do envolvimento do nosso funcionário. Por isso ele continua trabalhando normalmente até a conclusão do inquério que deve durar 60 dias’’, afirmou.
Maria Angélica também disse que dificilmente a mercadoria desviada tenha saído do depósito da RF porque existe um controle documentado através de um sistema informatizado de todas as mercadorias armazenadas no depósito. ‘‘Vamos aguardar a investigação da PF e de uma comissão que também está apurando o desvio. Por enquanto sabemos apenas que as mercadorias roubadas eram provenientes de apreensão’’, ressaltou.
O delegado Makarausky disse que esteve no depósito para apurar a possível quantidade de mercadorias desviadas, mas que não teve como obter a informação exata. ‘‘Fui informado apenas que existe uma quantidade astronômica de mercadorias no depósito. Também me disseram que pode haver uma variação de até 500 mil itens na estimativa’’, afirmou. O delegado disse que está claro que as mercadorias eram tiradas de dentro do depósito. ‘‘Que tipo de controle é esse que dá uma variação de 500 mil itens de erro?’’, indagou. Nos próximos dias, o inquérito com todos os indiciados será encaminhado à Justiça Federal.

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