A Polícia Federal de Londrina incinerou, ontem pela manhã, meia tonelada de cocaína pura e crack apreendida este ano e no passado. Os pacotes, jogados um-a-um na fornalha, foram destruídos em menos de 30 segundos.
Entre as drogas queimadas estavam os 300 quilos de cocaína apreendidos na mansão do pecuarista José Antonio Daher, que seriam mandados para a Espanha. A ordem judicial para incineração foi dada pelo juiz federal Marcos Hideo Hamasaki.
A droga saiu da sede da PF sob forte escolta e foi levada até a olaria Nossa Senhora Aparecida, em Ibiporã (15 quilômetros a leste de Londrina). Na olaria, durante a queima, foram colocados policiais em locais estratégicos armados com metralhadoras.
Durante a incineração, o forno da olaria chegou à temperatura de mil graus. No processo de queima das drogas, um forte cheiro de éter e solvente tomou conta do local. O delegado-chefe da PF em Londrina, José Roberto Morel, explicou que a incineração da droga ocorreu com o objetivo de desafogar a sede da PF, que não possui local adequado para armazenar tóxico.
‘‘Repare a nossa situação de guardiães de meia tonelada de tóxico. Já sofremos com a falta de pessoal e de espaço aqui na sede, imagine a nossa constante preocupação em relação à segurança deste grande estoque de cocaína e crack’’, comentou.
Com exceção dos 300 quilos encontrados com Daher na semana passada, o restante da droga resultou de operações desenvolvidas no ano passado. Foram incinerados 91 quilos de cocaína apreendida com o traficante Jovelino Teodoro Ribeiro; 2 quilos de cocaína encontradas com Osneir Zanoni e 110 quilos de crack que estavam em poder de Antonio Ducca Messias.
A incineração foi acompanhada por dois oficiais de Justiça Federal, dois funcionários da Procuradoria da República e pela representante da Vigilância Sanitária, a bióloga Adilmar de Andrade Riva. Segundo ela, até o ano passado a responsabilidade pela destruição de drogas apreendidas era da Vigilância Sanitária, órgão da Secretaria de Saúde do Estado.
Ela explicou que, pela portaria 344/98, a destruição da droga apreendida passou para a esfera policial. Quanto à forma da queima direta da cocaína e crack em forno comum, Adilmar faz restrições. ‘‘A forma certa de destruir tóxico é prepará-lo antes de fazer a queima. Deveríamos neutralizar a toxidez dos produtos e depois queimá-los. Mas no Paraná, só em Curitiba existe local apropriado para isto,’’ disse. Ela também disse que a fumaça proveniente da queima de tóxico em estado puro é poluente.
A Folha apurou que o valor total da droga destruída chegaria a US$ 15 milhões, caso fosse vendida no atacado na Europa e Estados Unidos. Este valor poderia ser triplicado com a comercialização da droga adulterada no varejo.
O alto valor da cocaína vendida para o exterior é justificado pelo custo operacional, risco do transporte até o destino e a possibilidade de se triplicar o volume da droga. Na distribuição no varejo a cocaína é misturada com pó de mármore, pó de vidro e outros produtos que não são percebidos pelos consumidores.
Segundo relatório da Drug Enforcement Administration (DEA) - órgão que combate o tráfico de drogas nos Estados Unidos -, a cocaína vendida em grande quantidade pelos cartéis de Cali e Medellin (Colômbia) e da Bolívia não passa de US$ 4 mil o quilo. No Brasil, o tóxico chega a custar entre US$ 10 mil e US$ 15 mil. Nos EUA e Europa o valor alcança US$ 30 mil o quilo.
Atualmente, a grande preocupação dos países de Primeiro Mundo é a transferência da produção de ópio e de heroína, que antes se concentrava na Ásia, para a Bolívia, Colômbia e Peru. Em virtude da grande fiscalização do cultivo da papoula (planta de onde é extraído o ópio e a heroína) na Turquia e países asiáticos, os três países sul-americanos passaram a cultivar a flor e a refinar os tóxicos.Josoé de CarvalhoNo fornoQueima de drogas foi feita numa olaria em Ibiporã: cada pacote não levou mais que 30 segundos para ser destruídoPaulo Ubiratan

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