Seis caminhões da empresa Tratopar Comércio de Máquinas e Equipamentos, de Cambé, que despejavam entulhos numa área do fundo de vale Capivara, nas proximidades do Catuaí Shopping Center, na zona sul de Londrina, foram apreendidos ontem à tarde pela Polícia Florestal. A empresa foi atuada por crime ambiental. O dono do terreno que dá acesso ao fundo de vale também deve ser autuado. A multa para esse tipo de crime pode chegar a R$ 50 milhões. O aterramento ilegal da área foi denunciado pela Promotoria do Meio Ambiente.
Os caminhões levavam para o fundo de vale, que é uma área de preservação permanente, o entulho produzido pela demolição do antigo Colégio São Paulo, no centro da cidade. Segundo o proprietário da empresa, Paulo Cardoso, o material vem sendo depositado na área há dois meses e são transportados para o local cerca de 30 cargas por dia.
‘‘Eu tinha conhecimento que essa área é de propriedade particular. Temos a autorização do dono do terreno para despejar o entulho. Além da minha empresa, outras empresas também trazem entulho para cá, inclusive a prefeitura’’, afirmou Cardoso.
De acordo com o sargendo da Polícia Florestal, Amilton Barbosa Bueno, a Tratopar foi autuada por degradação e por dificultar a preservação da mata nativa em área de preservação permanente. ‘‘Nós constatamos que esse crime ambiental era praticado para fazer a terraplanagem do terreno. A terraplanagem sem licença prévia é proibida, principalmente quando está prejudicando um fundo de vale’’, explicou.
A promotora do Meio Ambiente, Luciana Lepri Moreira, disse que o crime ambiental foi denunciado à promotoria através de um telefonema anônimo que a levou a checar a denúncia no local. ‘‘Quando estive na área flagrei os caminhões com entulho e então acionei a Polícia Florestal. Agora, vamos acompanhar o inquérito policial’’.
A Promotoria vai solicitar ao Instituto de Criminalística uma perícia técnica que vai comprovar o aterro irregular no fundo de vale. ‘‘Estamos avaliando também a necessidade de ingressar com uma ação civil pública pedindo a reparação dos danos ao meio ambiente’’, disse a promotora.
A Folha procurou o proprietário do terreno, Délcio Cruciol, mas ele estava viajando. O filho dele, Pedro Cruciol, indicado para falar sobre o assunto não retornou os recados deixados pela reportagem.