O delegado-chefe da Polícia Federal em Londrina, José Roberto Morel, destaca que o fenômeno no aumento da participação de menores no tráfico não é apenas observada em Londrina ou no Brasil, mas em todo o mundo, inclusive nos países mais desenvolvidos. ‘‘Isso acontece até pela impunidade do menor. Ele vai para o Setrem (hoje Ciaadi) e dali a pouco está na rua novamente. Volta para a rua e para o tráfico’’, critica.
Até 1995, diz o delegado, essa participação de adolescentes no tráfico era bem menor. De lá para cá, no entanto, vem aumentando progressivamente. E não é só adolescente: tem caso até de criança sendo iniciada no tráfico. No ano passado, por exemplo, em todas as 12 ‘‘bocas de fumo’’ (onde se vende a droga) que foram fechadas pela polícia na cidade havia a presença do menor.
‘‘Em um dos casos, que a gente filmou, tinha uma criança de apenas dois anos de idade que entregava a trouchinha com a droga de fraldas. Entregava na frente do portão, pegava o dinheiro e voltava para casa’’, diz.
Para José Roberto Morel, a melhor forma de combater o problema é investir na orientação das famílias, fazendo com que pai e mãe assumam de fato a educação dos filhos, impondo deveres e obrigações.
Ele diz também que falta em Londrina centro de recuperação para cuidar dos dependentes. ‘‘O que existem são ações isoladas. Por isso acho que a força viva da cidade - poder público e sociedade - deveriam se preocupar com isso.’
Sobre o papel da Polícia Federal em relação ao problema, ele diz que no começo de 98 a entidade procurou identificar e fechar as bocas de fumo. Esse trabalho também teve ajuda da Polícia Militar. A partir de abril, com o levantamento de informações feito até então, a PF partiu para o combate ao tráfico pesado. ‘‘A idéia, para 99, é trabalhar mais em Guaíra, Foz do Iguaçu, que são as portas de entrada da droga no País’’, diz. ‘‘Mas o problema é que somos poucos e cuidamos de 96 municípios do Estado.’

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