INVESTIGAÇÃO
PF deve retomar inquérito da AMA
O delegado João Luiz do Prado, da Polícia Federal, deve retomar segunda-feira os inquéritos que investigam fraude em Certificados de Regularidade de Situação relativa ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) das empresas Ecodata Engenharia e Serviços Especializados de Computação Ltda, de Curitiba, e Sistema Design Arquitetura e Urbanismo, de Araucária. Ele havia solicitado à Justiça Federal a unificação dos dois inquéritos e conseguiu prazo de 60 dias para investigação. A documentação foi devolvida ontem à tarde para a PF.
As duas empresas teriam participado de licitações supostamente fraudulentas na Autarquia Municipal do Ambiente (AMA). Segundo revelou a Folha na edição de ontem, o funcionário Edson Alves da Cruz, que foi presidente da comissão de licitação da AMA, acusou o ex-diretor adminstrativo-financeiro, Eduardo Alonso, em depoimento à PF, como um dos responsáveis pelos contratos falsos. Ainda segundo o depoimento, os recursos obtidos foram desviados para pagar dívidas das campanhas eleitorais da vice-governadora Emília Belinati (PTB), do deputado federal José Janene (PPB) e do deputado estadual Antonio Carlos Belinati (PSB). Todos negaram as acusações.
Ontem, a Folha não conseguiu localizar Edson Alves da Cruz. Ele é funcionário da AMA – onde ainda recebe salário – mas no final de junho deste ano foi colocado à disposição da Comurb. A assessoria de imprensa da Comurb informou, no entanto, que Edinho teria sido ‘‘devolvido’’ à AMA no dia 22 de setembro, em ofício endereçado à presidência da autarquia. Mas na AMA a informação é diferente. Segundo a funcionária Eliane Andrade, do Departamento Pessoal da autarquia, a portaria que transferiu Edinho para Comurb não foi revogada, ou seja, ele não teria sido ‘‘devolvido’’.
Licitações supostamente fraudulentas na AMA e na Comurb também estão sendo investigadas pelo Ministério Público e pela Polícia Civil. Os promotores Cláudio Esteves, da Promotoria de Investigações Criminais (PIC), e Bruno Galatti, da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público investigam indícios de irregularidades em 170 contratos da Comurb e 30 da AMA. Os recursos envolvidos passam dos R$ 13 milhões. Eduardo Alonso, ex-diretor da Comurb, disse em depoimento que esse valor pode chegar a R$ 30 milhões.
Já a Polícia Civil abriu nove inquéritos policiais envolvendo mais de 30 licitações. Apenas esses contratos investigados pela polícia envolvem recursos de mais de R$ 5 milhões.
Diversas entidades de classe de Londrina – entre elas Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Maçonaria e igrejas católica e evangélicas – manifestaram publicamente o apoio às investigações do Ministério Público. Ontem, o arcebispo dom Albano Cavalin divulgou uma carta, que será lida em missas por todos padres da cidade, que ratifica o apoio aos promotores.
No texto, Cavalin também comparou Londrina à cidade de Babilônia, que ficou conhecida como a ‘‘cidade do mal’’. ‘‘Nossa cidade de Londrina, nos últimos tempos, está sendo acusada de imitar mais Babilônia do que Jerusalém (cidade do bem), por causa da violência e das denúncias de corrupção, desonestidades administrativas, contratos ilícitos, desvio de verbas, e subornos em vários níveis.’’ (L.H.)

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