Cascavel – Um esquema de transferências fraudulentas de veículos usando ‘‘laranjas’’ foi desarticulado ontem pela Delegacia da Polícia Federal de Cascavel (Oeste do Estado). Foram cumpridos oito mandados de prisão, 18 de busca e apreensão e apreendidas 15 carretas. A quadrilha contaria com a participação de dois servidores da 58ªCircunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) de Marechal Cândido Rondon, que foi fechada pelo Departamento de Trânsito do Paraná (Detran/PR) e o atendimento transferido para a 26ªCiretran, em Cianorte.
  Batizada de Operação Clone, a ação da PF teve início de madrugada em Marechal Cândido Rondon, Toledo, Mercedes, Quatro Pontes, Cascavel e Pato Bragado. Equipes também estiveram em cidades de São Paulo e Mato Grosso do Sul para recuperarem alguns dos veículos apreendidos. O delegado-chefe da PF em Cascavel, Algacir Mikalovski, informou que a totalidade dos mandados expedidos pela Justiça Federal foram cumpridos mas afirmou que outras pessoas podem ser presas nas próximas horas porque as investigações, que começaram há cerca de um ano, prosseguem.
  Sem divulgar os nomes dos suspeitos presos, a PF apontou que a quadrilha era composta por despachantes e os dois servidores da Ciretran, que receberiam quantias em dinheiro pela participação. Os envolvidos teriam recebido dinheiro para fazer transferências de veículos em nome de ‘‘laranjas’’ que, na maioria dos casos, desconheciam o crime. Os veículos, principalmente carretas, eram usados no transporte de mercadorias contrabandeadas e outros ilícitos. Segundo a
PF, a finalidade da fraude era encobrir os reais proprietários para que não fossem responsabilizados criminalmente pelo transporte das mercadorias ilegais. A quadrilha já teria ‘‘transferido’’ 62 carretas.
  Conforme a Polícia Federal, despachantes captavam clientes interessados no esquema e cobravam entre R$ 200 e R$ 1 mil. Em seguida, eles contatavam os dois comparsas na Ciretran de Marechal Cândido Rondon e passavam os documentos e outras informações dos ‘‘laranjas’’. Com os papéis
em mãos, os servidores falsificavam as assinaturas, utilizavam carimbos e selos cartorários falsos para reconhecer firma das mesmas e transferiam os veículos. A PF apurou ainda que os funcionários públicos ‘‘isentavam’’ indevidamente os veículos de multas e impostos, apagando estas informações dos sistemas do Detran.
  A PF esclareceu que a operação, que envolveu 80 agentes federais, não teria relação com as fraudes descobertas recentemente nos Detrans paulista e gaúcho. Apontou ainda que a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) teria colaborado com a ação, fornecendo informações e destacando um delegado para acompanhar os trabalhos.
  Em nota, o Detran/PR informou que o chefe da 58ªCiretran, Jair Romão Venera, foi exonerado e o funcionário estatutário Antônio Francelim foi afastado. As medidas teriam sido tomadas após a apreensão de documentos, que provariam irregularidades como a legalização de veículos sinistrados (salvados), facilitação na emissão de carteira de habilitação, falsos comprovantes de residência e processos com ausência de documentação. A investigação foi feita em conjunto pela Coordenadoria de Inteligência e Auditagem do Detran, policias Militar e Civil e Ministério Público.

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