A Polícia Federal prendeu em flagrante, no final da tarde de anteontem, em Curitiba, o funcionário aposentado do Banestado, Altair Munhiz Carvalho, acusado de cobrar propina de funcionários do banco para liberar pedidos de aposentadorias junto ao INSS. O golpe envolveria funcionários do INSS e um ex-diretor do Banestado. Carvalho também pedia votos para o vereador Sabino Pícolo (PSDB), candidato à reeleição. Pícolo é irmão do ex-diretor do Banestado, Valmor Pícolo.
Carvalho foi preso no escritório político de Sabino Pícolo, no bairro de Mercês, logo depois de pedir dinheiro e votos para uma bancária da região de Umuarama para ‘‘acertar’’ a aposentadoria dela. A funcionária não quer ser identificada por medo de represálias.
Carvalho telefonou para a bancária dia 31 de julho, dizendo que o pedido de aposentadoria dela estava irregular, seria indeferido e que ele poderia resolver o problema. O advogado da bancária, Marco Bacarin Possebom, denunciou a cobrança à Procuradoria da República em Umuarama e a Polícia Federal armou o flagrante.
Segundo Possebom, Carvalho queria que sua cliente fosse a Curitiba em 24 horas. ‘‘Nós pedimos mais tempo e, por orientação da PF, marcamos para ontem (anteontem)’’, disse o advogado. Sem informar o valor, Altair disse à bancária que o dinheiro seria dividido entre funcionários do INSS. Disse também que seu contato era um ex-diretor do Banestado, morador no Bairro Bacacheri, e que somente este ano ele havia ‘‘acertado’’ a aposentadoria de aproximadamente 180 fucionários do banco. Também entregou material de campanha de Pícolo à bancária. Quando ela argumentou que não votava em Curitiba, Altair justificou que Pícolo seria candidato a deputado na próxima eleição e contaria com o voto dela.
No escritório a Polícia Federal apreendeu bilhetes com os nomes de vários funcionários do Banestado e valores que seriam ou teriam sido cobrado para regularizar as aposentadorias, além de R$ 30 mil em cheques. ‘‘Ele cobrava até R$ 15 mil pelo serviço.’’ Junto ao nome da bancária de Umuarama estava anotado R$ 3 mil. Também foram apreendidos material de campanha do candidato entregues à bancária.
De acordo com Possobom, o processo de aposentadoria da cliente dele era legal e deveria ser aprovado naturalmente pelo INSS. ‘‘Ela teve o primeiro pedido indeferido em 98 por causa de uma Ordem de Serviço do INSS que não permitia contar tempo de trabalho rural se o nome do beneficiário não constasse nos documentos. Uma ação da Procuradoria da Repúblia derrubou esta exigência e nós entramos novamente com o pedido, anexando a decisão judicial’’, explicou.
A Polícia Federal havia marcado para o início da noite de ontem uma entrevista coletiva para dar informações sobre o caso. O vereador Sabino Pícolo disse à Folha, por telefone, que não tinha conhecimento da negociação de votos. Disse que Carvalho não fazia parte do gabinete, era apenas um colaborador de campanha. ‘‘Perdi minha confiança nele’’, resumiu. Segundo o advogado Possebom, no auto de prisão em flagrante na PF, Carvalho se apresentou como assessor político de Pícolo.

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