A Polícia Federal (PF) descarta a idéia de facilitação na fuga, ocorrida na delegacia de Londrina na noite da última sexta. Por volta das 19h30, oito detentos conseguiram escapar após serrarem parte da grade do solário. Segundo o delegado-chefe da PF de Londrina, Evaristo Kuceki, os presos utilizaram uma tereza para alcançar a saída, que fica a 5 metros do chão. ''Há três anos tivemos uma fuga com as mesmas características'', declarou.
A delegacia tem apenas três celas, cada uma com capacidade para abrigar dois prisioneiros. Devido à superpopulação - a unidade contava com 19 presos na semana passada e com 32 na semana anterior - os detentos costumavam ficar no solário até altas horas da noite. ''Optamos por deixá-los usar o solário porque é desumano deixar dez presos amontoados numa cela o dia todo'', confessou o delegado.
Conforme ele, os presos detectaram um ponto cego da câmera de segurança e conseguiram fugir. ''As serras foram escondidas dentro de dois chinelos que passaram pelo detector de metais. Os detentos começaram a serrar na quinta e fugiram na noite da sexta, em apenas meia hora'', disse Kuceki.
São realizadas revistas semanais nas celas. Segundo o delegado, o carceireiro só percebeu a falta dos presos na hora de recolhê-los para as celas, por volta das 22 horas. Kuceki reconheceu a falta de segurança e já mandou instalar outra câmera de segurança no solário.
''Dos que ficaram, alguns preferiram não fugir e outros nem sabiam da ação'', informou o delegado-chefe, que determinou a abertura de inquérito para apurar as condições da fuga, apesar de descartar qualquer ajuda dos policiais. O delegado Marcelo Costa Garcia é o responsável pelas investigações. Dos oito fugitivos, cinco cumpriam pena por uso de moeda falsa, dois por assalto à mão armada aos Correios e um por tráfico de drogas.

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