PF autua 16 pessoas em nova blitz
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terça-feira, 17 de fevereiro de 1998
Edna Mendes 
Arquivo FolhaDados oficiaisMuitos estrangeiros que trabalham em Ciudad del Este e moram em Foz estão ilegalmente no PaísA Polícia Federal de Foz do Iguaçu realizou no início da noite de anteontem, na Ponte da Amizade, mais uma operação para coibir a permanência de estrangeiros que vivem em situação ilegal no País. Durante a operação 16 estrangeiros foram autuados. Eles terão que deixar o País dentro de três dias, além de pagar multas.
A operação foi realizada entre 17 horas e 19 horas, quando os estrangeiros que moram em Foz do Iguaçu e tem negócios em Ciudad del Este, no Paraguai, retornavam para a cidade. Cerca de 4 mil estrangeiros foram fiscalizados. Vinte e oito agentes da polícia participaram da operação. Esta foi a quarta operação da PF realizada neste ano para identificar estrangeiros em situação ilegal.
Segundo a PF, os estrangeiros autuados são seis libaneses, quatro chineses, três coreanos, um paraguaio, um natural da Líbia e um egípcio. Eles terão que pagar um total de R$ 4,3 mil ( 4,5 mil Ufirs). O egípcio Essan El Fayed Sayed Nabawi Ahmed, naturalizado brasileiro, foi preso durante a operação por tentar dificultar o trabalho da polícia.
Segundo a delegada de Polícia Federal, Patrícia Aparecida Sarkis, que comandou a operação, esta foi a blitz que teve o menor número de estrangeiros autuados. A delegada também ressaltou que a comunidade árabe de Foz do Iguaçu, uma das maiores do País, alega que as operações da PF se tratam de perseguição contra eles. Se eles observarem o número de coreanos, chineses e paraguaios que autuamos eles vão notar que não se trata de perseguição, disse.
Segundo estimativas da PF, vivem ilegalmente no País de 8 mil a 12 mil estrangeiros. Desde que as operações começaram a polícia já deteve 362 pessoas, das quais 22 foram deportadas e 340 autuadas e notificadas.
As operações fazem parte das estratégias desenvolvidas pelos governos do Brasil, Paraguai e Argentina para combater o contrabando, tráfico de drogas e de armas e atividades terroristas.
O sheik egípcio, Essam El Fayed Sayed Nabawi Ahmed, 29 anos, que é naturalizado brasileiro, preso durante a blitz, tumultou o trabalho da polícia resistindo à fiscalização. Ele teria parado o veículo durante a travessia da Ponte da Amizade, dizendo que não permitiria a fiscalização. Até a tarde de ontem, ele continuava preso na Delegacia da Polícia Federal.
Segundo a delegada Patrícia Aparecida Sarkis, o sheik disse que era líder espiritual e que por isso não precisava ser fiscalizado. Ele foi extremamente indelicado, me mandou até calar a boca. Fiquei indignada com a reação dele. Ele agiu como se fosse o dono do nosso País, disse.
A delegada informou que o sheik foi autuado por desacato e resistência ao trabalho, e que esse tipo de crime é passível de reclusão. Mas se o juiz arbitrar fiança ele poderá ser solto, ressaltou.


