A ex-funcionária da agência do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) em Cianorte (87 km a nordeste de Umuarama), Márcia Paula da Silva, de aproximadamente 30 anos, é acusada de fraudar a Previdência. Márcia teria se apoderado dos cartões de dezenas de pessoas, cujos benefícios deveriam ter sido suspensos, e continuou recebendo as pensões e aposentadorias. Em 1998, a Polícia Federal de Maringá instaurou inquérito para apurar uma denúncia contra a ex-funcionária, que já havia sido demitida, mas somente agora começaram a aparecer outros casos.
Pelo menos nove pessoas já foram encaminhadas à Polícia Federal, depois de receber intimações do INSS para devolver benefícios que teriam recebido indevidamente. Todos afirmam que procuraram o INSS para cancelar o benefício, entregaram o cartão a Márcia Paula e forneceram também a senha a pedido da funcionária. Advogados de Cianorte estimam que pelo menos 200 aposentados e pensionistas tenham sido vítimas do golpe.
O advogado Antônio Rogério foi procurado por dois clientes intimados pelo INSS a devolver o dinheiro recebido indevidamente. Um dos clientes, Euclides do Espírito Santo, 57 anos, recebia por procuração a aposentadoria do pai, que morreu há mais de cinco anos. Santo disse que quando o pai morreu entregou o cartão e a senha para Márcia Paula. Agora, o INSS exige a devolução de R$ 1.366,00 que ele teria recebido depois da morte do aposentado.
Outro rapaz que havia se acidentado e estava recebendo auxílio-doença também alega ter entregue o cartão e senha a funcionária depois de receber alta médica. Agora, está sendo cobrado pelo INSS a devolver os seis meses de pensão que teria recebido depois da alta.
O chefe da agência de Cianorte, Elias Vieira Meira, informou que Márcia Paula da Silva foi demitida em 1995, logo depois da primeira denúncia. Segundo Meira, Márcia era paga pela Prefeitura de Indianópolis para trabalhar na agência. Um pensionista da cidade, José Virgulino, havia pedido a baixa do benefício entregando o cartão e a senha a Márcia. Entretanto, descobriu que o dinheiro continuava sendo depositado no banco e, dois ou três dias depois, alguém sacava. Denunciou o fato ao INSS, que fez uma investigação interna e afastou a funcionária.
Meira não tem conhecimento de outros casos. ‘‘As intimações sobre pagamentos irregulares devem ter sido expedidas pelo INSS em Curitiba e, que eu saiba, até agora ninguém procurou a agência para reclamar’’, disse. A primeira denúncia foi encaminhada no final de 98 à Polícia Federal, que instaurou inquérito para investigar o caso.
A PF vai indiciar Márcia Paula por crime de peculato e intimá-la a depor nos próximos dias. Na sexta-feira, havia sido marcada uma acareação entre a ex-funcionária e o morador de Indianópolis que fez a denúncia, mas ela não compareceu. A Folha tentou contato por telefone com Márcia em Cianorte mas não conseguiu localizá-la. O número de telefone fornecido à Folha não atendeu ontem.

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