A Polícia Federal do Paraná apreendeu, no Porto de Paranaguá, um contrabando de 3,5 milhões de litros de nafta, avaliado em 1 milhão de dólares. O produto foi importado do Uruguai pela empresa gaúcha Carboquímica - Comercial Química, e seria repassado à Confecção Yungmerica, do Paraná. A polícia suspeita que a nafta seria usada para adulterar gasolina.
O delegado da Polícia Federal em Paranaguá, José Augusto Mello Schueire, informa que o produto foi apreendido anteontem quando a Receita Federal e a polícia realizavam vistorias nos tanques de armazenagem. Segundo o delegado, nos três tanques onde deveriam estar 3,5 milhões de óleos benzol foi encontrado nafta.
O produto está depositado nos reservatórios da empresa Catallini, dirigida pelo secretário de Indústria e Comércio de Paranaguá, José Manoel Chaves. Chaves não quis dar entrevista ontem, apesar de que a empresa pode, segundo o delegado, não estar implicada no contrabando.
‘‘Este produto só pode entrar no Brasil com a autorização da Agência Nacional de Petróleo’’, diz o delegado Schueire. O delegado informa que na nota fiscal o registro era de benzol, que não necessita dessa autorização. Além disso, o benzol tem isenção de impostos, o que não ocorre com a nafta. Por isso, ele acredita que a importação iria abastecer o mercado de adulteração de gasolina.
O presidente do Sindicato de Comércio Varejista de Combustíveis do Paraná (SindiCombustível), Roberto Fregonese, informa que 5% do combustível comercializado no Estado seria adulterado. ‘‘Na maioria das vezes pelas próprias distribuidoras’’, afirma.
Até ontem, a polícia não tinha encontrado os responsáveis pela importação. ‘‘Eles sumiram’’, diz Schueire. Caso sejam presos, os proprietários podem pegar até quatros anos por contrabando, além de sonegação de impostos.
Quanto à mercadoria, o delegado informa que ela ficará retida até o fim das investigações. Caso os proprietários sejam condenados pela Justiça, o produto será leiloado. A importação da nafta é permitida ‘‘com destinação específica’’, diz Schueire, como para indústrias de tinta. Como a destinatária era uma confecção, nasceu a suspeita.
Roberto Fregonese, do SindiCombustível, pede que o consumidor denuncie caso suspeite de ‘batismo’ do combustível. Ele informa que as reclamações podem ser feitas para a Agência Nacional de Petróleo, que tem seus telefones afixados em todos os postos do Paraná, ou no sindicato dos postos.Características da importação indicam que o produto se destinava à adulteração de gasolina, acredita a Polícia Federal
Albari RosaDepósitoOs 3,5 milhões de litros de nafta contrabandeados estão armazenados em três tanques da empresa Catallini, no Porto de ParanaguáIsrael Reinstein

mockup