A Polícia Federal de Maringá enviou ontem à superintendência em Curitiba os documentos falsos usados na fraude do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS). O delegado Luiz Melzer, da PF da capital, informou que a instituição vai realizar perícia na documentação, que deve estar pronta dentro de três semanas. Os depoimentos dos 41 envolvidos na fraude do INSS de Engenheiro Beltrão (30 quilômetros ao norte de Campo Mourão) começam na próxima semana.
Serão ouvidos o dono da Fazenda Chapadão, Benedito Manoel da Silva, e o funcionário da propriedade, Osias Chaves dos Santos, que segundo a polícia pode ser o responsável pelas assinaturas nas fichas falsificadas. Outra pessoa que prestará depoimento é o responsável pelo escritório que intermediava a busca de benefícios, que não teve o nome revelado e está foragido. Os demais são todos trabalhadores que buscavam os benefícios.
Por enquanto, nenhum dos envolvidos foi preso, já que não existe comprovação da possível conivência dos trabalhadores ou mesmo do proprietário da fazenda. A Polícia Federal pretende chegar aos responsáveis pelo esquema depois de ouvir todos os envolvidos. A gerente regional de Seguro Social do INSS em Maringá, Ivonete Maria Marinheiro, disse ontem que os escritórios regionais estão levantando os documentos protocolados nos últimos meses para detectar possíveis fraudes.
Ela conta ainda que pelo menos oito trabalhadores conseguiram se aposentar e estão recebendo os benefícios depois de terem apresentado documentos falsos. ‘‘Nesses casos vamos dar um prazo para a defesa do beneficiado, e depois cortar os pagamentos e cobrar os valores corrigidos’’, avisa. Ivonete alerta ainda que existem muitas pessoas na região sem condições de fazer o procedimento para aposentadoria, mas que chegam a tentar viabilizar a busca dos benefícios junto ao INSS. ‘‘O trabalhador que opta por se aposentar deve procurar advogados capacitados para isso, ou procurar o próprio INSS, que faz todo o procedimento sem custos’’, aconselha.

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