PF abre inquérito para apurar venda clandestina de remédios
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 15 de julho de 2002
Marcos Espíndola<BR>Reportagem Local 
A Polícia Federal (PF) abriu ontem inquérito para apurar a venda clandestina do Pramil 50 miligramas (mg), uma imitação do Viagra pílula indicada para o combate à impotência sexual produzida no Paraguai. Conforme denúncia publicada na Folha na edição de domingo, a venda destes medicamentos, inclusive o próprio Viagra, com procedência do Paraguai, acontece à revelia das autoridades policiais e sanitárias nos camelódromos da cidade e até mesmo através de anúncio de classificados de jornal. A Folha adquiriu através do mercado clandestino duas pílulas de Pramil 50mg, que ontem ainda foram enviadas para perícia na Seção de Criminalística da Polícia Federal em Curitiba.
Segundo o delegado federal, João Luiz do Prado, a perícia poderá apontar se as pílulas são produtos de falsificação ou até mesmo de roubo de medicamento. Inicialmente, a Polícia Federal terá 30 dias para concluir as investigações, mas esse prazo poderá ser prorrogado, segundo Prado. ''Vamos localizar os vendedores e ouví-los para ver se o medicamento veio mesmo do Paraguai'', adianta o delegado que aponta como possibilidades de crime o contrabando, falsificação, compra e venda ilegal de remédios, além de receptação de carga roubada.
Segundo o delegado o comércio de medicamentos nos camelódromos de Londrina também é alvo de investigação da Polícia Federal. Segundo apurou a Folha em reportagem publicada no último domingo, o medicamento conhecido como Pramil 50mg teve a sua apreensão determinada em todo o território nacional pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em maio passado. O medicamento é produzido pelo laboratório paraguaio Novophar e utiliza o mesmo princípio ativo do Viagra, o Sildenafil, cuja a patente é de exclusividade do Laboratório Pfizer.
A Vigilância Sanitária quer agir em conjunto com a Polícia Federal em uma fiscaliação e autuação da venda clandestina de medicamentos. O gerente da Vigilância Sanitária de Londrina, Marcelo Viana de Castro, enviou ontem ao delegado João Luiz do Prado um ofício solicitando o apoio dos federais em um ação conjunta.
Castro pretende se reunir ainda esta semana com a Polícia Federal para acertar os detalhes da operação que terá como foco também os ambulantes de Londrina. A idéia é averiguar além da venda de medicamentos, o comércio de óculos de grau e de aparelhos de uso médico, como os medidores da pressão arterial. Há duas semanas a reportagem da Folha já havia denunciado a venda ilegal de óculos de grau e dos medidores de pressão arterial nos camelódromos do Centro da cidade.


