O delegado Nilson Antunes, da Polícia Federal de Londrina, abriu ontem o inquérito policial que vai investigar a morte da indiazinha Liliane Marcondes, de 11 meses, ocorrida no dia 11 de fevereiro na Reserva Indígena do Apucaraninha, em Tamarana (62 km de Londrina). A abertura do inquérito pela PF foi solicitada pelo Ministério Público Federal ao saber do caso pelas reportagens da Folha e quando a p olícia de Tamarana já se preparava para investigar.
Segundo o delegado, a demora na instalação do inquérito se deve ao acúmulo de serviço na PF. ‘‘Tenho que respeitar minha pauta. Além desse caso, estou investigando vários outros’’, justificou. Antunes é também o delegado responsável pelo núcleo de combate ao tráfico de entorpecentes.
De acordo com o delegado, serão ouvidos todos os envolvidos no caso. ‘‘Vamos apurar a responsabilidade, seja da Funai (Fundação Nacional do Indio), dos médicos que assistiram a menina e até dos pais’’, disse. Segundo Antunes, a tipificação do crime vai ficar em aberto, por enquanto. ‘‘Quando conseguir definir as responsabilidade é que será definido o enquadramento legal, se omissão de socorro ou homicídio culposo’’, afirmou. As primeiras testemunhas devem começar a ser ouvidas em 15 dias.
Liliane morreu após apresentar sintomas de pneumonia agravada pela desnutrição. Segundo a Fundação Nacional da Saúde (Funasa), a família se recusou a encaminhá-la para internamento hospitalar. De acordo com informações prestadas pelo órgão na época, a mãe não teria permitido que a menina fosse internada em Londrina, levando-a para o pajé da tribo e, depois, para os índios evangélicos para orarem pela recuperação da criança.

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