PF abre inquérito para apurar caso Orkut
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quarta-feira, 23 de novembro de 2005
Fernanda Borges<br> Reportagem Local 
A Polícia Federal instaurou inquérito para apurar os comentários ofensivos contra funcionários e pacientes do Hospital Universitário (HU) feitos por um grupo de cerca de 15 residentes e ex-residentes do curso de Medicina da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
As investigações tem como objetivo apurar a prática do crime de injúria qualificada. Segundo o delegado Pedro Paulo de Figueiredo, apesar de ainda não ter sido confirmado, há também a possibilidade de ser constatado crime de preconceito racial. ''Seis vítimas citadas nas mensagens do Orkut e que abriram ação já foram ouvidas. Agora tomamos depoimentos dos residentes e ex-residentes'', disse.
Os comentários ofensivos estavam em duas comunidades de internautas criadas em outubro do ano passado. As mensagens foram retiradas do ar em maio deste ano. Os envolvidos apelidaram os funcionários de ''trolls'' (''seres abomináveis, repugnantes e comedores de carne humana'') e usaram expressões como ''macaca de 15 arrobas'', ''traveco'' e ''prenhas nojentas'' para se referirem a servidores e pacientes.
O delegado afirmou que a Polícia Federal deu início ao inquérito principalmente por envolver preconceito racial. ''Chamamos as pessoas citadas nas mensagens e perguntamos se elas tinham interesse em dar continuidade ao caso, e todos afirmaram que sim. Depois de concluído vamos encaminhar o relatório para a Justiça Federal'', comentou Figueiredo.
Ainda segundo o delegado, a Polícia Federal está com cópias das páginas, reportagens e também com o resultados da sindicância feita pela UEL. A sindicância feita pelo Conselho Regional de Medicina (CRM) ainda está em andamento, mas Figueiredo disse que o CRM encaminhou para ele os nomes das pessoas supostamente envolvidaso. ''São uns 15 mais ou menos. Até o momento, todos que ouvimos confessaram ter participado com as mensagens e se dizem arrependidos. Alguns estão morando em São Paulo, Mato Grosso, por isso até entrarmos em contato poderá demorar um pouco, mas todos serão ouvidos'', ressaltou.
Uma funcionária do HU que já prestou depoimento à PF, e que preferiu não ser identificada, disse que o caso ''mecheu com a alma'' de todos os funcionários e que é difícil explicar o dano emocional causado pelas mensagens na internet. ''Quando eu constitui um advogado não pensei em indenização. Isso pode até ser uma consequência. Todo mundo está do nosso lado desde o primeiro momento, houve uma comoção geral''.
O supervisor do Pronto-socorro do HU no período na noite, Persival Vitorino Guimarães, que também foi um dos funcionários citados nas mensagens e ouvido pela Polícia Federal, ressalta o comportamento dos funcionários após o caso: ''Apesar de tudo, não houve mudança de comportamento. Todos nós continuamos a trabalhaar normalmente respeitando mesmo os que teriam divulgado as mensagens. Nossa justiça é lenta mas acredito que o trabalho da Polícia Federal terá sucesso, pois todos estão se empenhando bastante''.


