''Família, família, cachorro, gato, galinha'', como já cantava a banda Titãs, eles podem ser de diferentes espécies, mas para muitas famílias os animais de estimação já se tornaram integrantes importantes. Em algumas, são mais de um: cachorros, gatos e passarinhos. E aí a confusão está armada. Será?
Para o médico veterinário e professor da Unifil, Marco Aurélio Sturion, a resposta é não. O que influenciará no comportamento e na boa convivência dos animais são alguns cuidados do dono. ''Quando você vai introduzir um outro animal em casa, é importante que peça a orientação de um profissional veterinário sobre qual animal escolher, que você conheça a personalidade de seu animal antigo e esteja atento às reações dele'', explica.
Reações que podem ser ainda mais indesejáveis quando o novo morador é de uma espécie diferente. E, neste caso, o professor explica que é fundamental conhecer os hábitos de vida de cada um deles e o papel deles na cadeia alimentar - predador ou presa - antes de escolher o novo integrante.
''Se coloco um gato e um passarinho, que não foram criados juntos desde novinhos, vou ter um problemão. Uma hora ou outra o gato vai caçar o passarinho, faz parte do instinto dele'', afirma o veterinário. ''Agora, se você coloca um cachorro e um passarinho, o cachorro também vai caçar, mas o hábito dele é diferente do gato.'' Segundo ele, se o cão tem alimentação garantida, não irá atacar o pássaro. Talvez, ele queira brincar e acabe machucando e aí a importância do cuidador ir introduzindo o novo animal aos poucos na casa.
De maneira geral, o especialista explica que a boa convivência entre os animais de estimação tem relação direta com a maneira com que eles são criados. ''Tudo vai do amor que a pessoa dá ao animal, se ele foi acostumado desde pequeno em um ambiente que há carinho e diálogo, onde o dono exerça um papel de dominância sobre o animal de forma respeitosa, ele irá respeitar o outro animal também'', observa.
O profissional esclarece que é fundamental o dono estar atento ao comportamento de ambos no começo para garantir que não haverá nenhum atrito. Além disso, o professor explica que o ideal é sempre deixar o predador solto na casa e a presa deve ter um lugar reservado para se proteger. ''Passarinho, por exemplo, pode ficar em uma gaiola. Se for um gato, ele pode ter uma caixa para se esconder do cachorro'', orienta.
Ciúmes
Quando os animais são da mesma espécie e o dono resolve ter um mais novo ou de raça diferente, Sturion explica que é preciso considerar que é normal haver um pouco de atrito no começo, até o mais novo se submeter ao mais velho e ambos se adaptarem.
''É fundamental evitar que haja ciúmes. No início da adaptação, é provável que o mais velho pegue o que for dado ao mais novo, por isso, eu recomendo que tudo o que você der para um dê para o outro, inclusive carinho'', complementa.
''Se a pessoa ainda não tiver o outro animal, oriento a adotar um de sexo oposto para fazer companhia e diminuir a possibilidade de atrito. Será bom para ambos essa companhia.''

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