Pets bem cuidados, mas sem frescura
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quarta-feira, 09 de novembro de 2011
Fernanda Carreira <br> Reportagem Local 
Muitas pessoas optam por direcionar o instinto afetivo aos animais de estimação. O resultado pode ser um excesso de cuidados que interfere até na saúde do animal. A médica veterinária Maira Salomão Fortes, de Londrina, cita como os principais exageros cometidos pelos donos a pintura das unhas, da pelagem, uso de perfume, utilização de botinhas, de roupas cheia de apetrechos, colocação de piercing e tatuagem adesiva.
''Cada vez mais pessoas estão optando por animais de estimação, os quais, em sua maioria, vive dentro das casas ou apartamentos'', afirma Maira, coordenadora do curso de Medicina Veterinária da Unifil. ''E quando o animal vive dentro de casa é preciso manter um cuidado especial. Tanto a indústria da Medicina Veterinária, quanto a indústria pet já perceberam isso e vem crescendo para suprir a demanda.''
Como resultado, Maira explica que uma parcela considerável dos proprietários de animais acaba confundindo cuidados básicos de bem-estar do animal com ações desnecessárias. ''Apesar de ser domesticado, os instintos animais devem ser preservados e eu vejo isso muito vago na cabeça das pessoas. Elas os mimam demais, tornando-os extremamente dependentes e ansiosos'', afirma. ''Apesar de amá-los e querer o melhor para eles, os donos precisam considerar que o cão e o gato ainda são animais e precisam de limites'', acrescenta.
''Os proprietários de animais de estimação precisam se questionar se determinada atitude é realmente bom para o cachorro e se ele está entendendo o porquê daquilo'', afirma a veterinária. ''Todas essas manipulações podem ter consequências graves para a saúde do animal.''
A veterinária alerta que o uso de tatuagem adesiva pode causar a perda de pêlos do animal e a colocação de piercing pode predispô-lo a uma infecção bacteriana. E o uso de perfumes, tinturas e esmaltes pode expô-lo a componentes aos quais o pet pode ter hipersensibilidade e que podem desencadear uma crise alérgica com fechamento de glote e levando-o à morte.
''Outro dia ouvi uma menina dizendo que estava pensando em pintar o pêlo da poodle dela de azul. Virei e perguntei o motivo daquilo'', conta, enfatizando que, muitas vezes, o proprietário comete estes exageros para suprir suas carências no animal. ''É para o dono mostrar para outras pessoas aquele bichinho que, na verdade, está sendo manipulado com excesso'', complementa.
Para Maira, outro excesso para os animais é a colocação de botinhas, já que o uso dos sapatos não permite que o cão tenha contato com o solo e com o ar, causando abafamento. ''O animal que usa sapatos não tem o desgaste normal das unhas e nem da pele dos conchins plantares, importante para a aderência ao solo'', enfatiza. ''Além do que, o abafamento favorece a procriação de fungos e o aparecimento de doenças nos animais.''
Quanto às roupas próprias para os animais, Maira informa que a atenção do proprietário deve-se voltar para a quantidade de pêlo do animal. ''Alguns animais, naturais de regiões mais frias, como o Rusky Siberiano, não precisa de vestimentas, porque ele não sente tanto frio quanto um Pintcher sentiria, que tem pouco pelo e pouca camada de gordura'', explica. ''No entanto, eu sempre alerto que o pelo do animal deve ser muito bem secado antes de colocar a roupinha.''
Já em relação a alimentação, Maira explica que uma ração de boa qualidade já nutre o animal e não existe a necessidade de ficar oferecendo petiscos a toda hora.
Afeto
A dona de casa Emília Nishi é proprietária da pequena maltês Sati, de um ano e quatro meses. Ela conta que não poupa atenção quando o assunto é o bem-estar da cachorrinha, mas tudo com ponderação. ''Apesar do afeto que toda a família tem por ela, tudo tem limite e procuramos deixar isso muito claro. Procuro sempre fazer o melhor para ela, mas sem exageros.''
Emília explica que a alimentação da cachorra é somente a base de ração, os banhos são realizados a cada 15 dias em um petshop de confiança e sempre que chega o verão, a proprietária tem o cuidado de fazer a tosa. ''É claro que o pelo longo é lindo, mas não é preciso cortar tudo. Dá para tirar só o da barriguinha, que ao deitar no piso frio, ela já se refresca'', diz.
Além disso, a dona de casa ressalta que Sati já tomou todas as vacinas recomendadas para a idade e foi desvermifugada. ''Assim, eu fico tranquila para levá-la para passear.''


