Pets adoram carinho, mas é preciso cuidado
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terça-feira, 24 de julho de 2007
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Nos quadrinhos, o Snoopy é tão inteligente e perspicaz, que parece mais humano que o próprio Charlie Brown, dono dele. Na vida real, bichinhos de estimação são confundidos com filhos, irmãos, ganham roupa, brinquedos, cama, coberta e comida especial para crescerem fortes e saudáveis como as crianças.
Todo mundo precisa de carinho e atenção, até mesmo os pets, mas tem hora que é necessário separar as coisas: homens são humanos; cães e gatos são animais. Principalmente quando se trata de doenças. O contato muito próximo entre donos e animais pode trazer riscos para a saúde dos dois. No entanto, cuidados básicos podem tornar essa convivência, que é tão gostosa, mais segura.
''O risco de um animal de estimação transmitir uma doença para o dono existe, mas não é tão fácil assim. O risco é maior para os veterinários, que têm contato maior com o bicho'', afirmou a médica veterinária Maria Thiemi Oikawa Zangirolani, especialista em clínica e cirurgia de pequenos animais.
Segundo ela, cuidados básicos de higiene e o tratamento preventivo dos pets são ações fundamentais para manter a saúde do bicho e do dono. ''As zoonoses são as principais doenças transmitidas pelos bichos de estimação, mas precisam de uma porta de entrada para se manifestar no homem'', completou Maria.
Conforme ela, as mesmas doenças que eles transmitem a nós, nós podemos transmitir a eles, mas a medicação é diferenciada para humanos e animais. ''Se ambos estiverem saudáveis, não há perigo'', garantiu Maria. Entre as zoonoses mais comuns, a verminose é a que mais ataca os animais. Toxoplasmose, leishmaniose, leptospirose e sarna também são patologias frequentes.
''Pode dormir junto, pode deixar lamber, mas com cuidado. É recomendável sempre lavar bem as mãos e o rosto para não ter perigo de contaminação'', assinalou a veterinária.
Com um ano e três meses, a yorkshire Tiffany faz questão de dormir no meio da auxiliar de enfermagem Maristela Nunes e do marido dela, toda noite. Maristela contou que comprou a cachorrinha para se curar de uma depressão e hoje, Tiffany é mais que um bichinho de estimação para a família.
''Ela dorme junto com a gente, mas tem cama e coberta separadas para ela. Só os brinquedos que ficam espalhados pela casa'', declarou a auxiliar de enfermagem, informando que Tiffany come ração, ''mas também come tudo o que a gente belisca''.
Maristela sofre de toxoplasmose e faz exames de sangue periódicos para controlar o avanço da doença. ''Descobri que tinha o vírus quando tive depressão. Senti pintinhas vermelhas andando no meio olho, liguei para o oftalmo e ele me disse que poderia ser toxoplasmose'', recordou. Ela fez um tratamento intensivo por seis meses, mas ainda tem o vírus, que está inativo no organismo.
''A Tiffany é vacinada e eu costumo passar um óleo no dorso dela para evitar pulgas e carrapatos. De três a quatro vezes por semana eu levo ela passear na rua e sempre que volto da chácara dou banho'', relatou Maristela, ressaltando que não tem o costume de beijar a cachorrinha.
Na casa dos Meneghetti, o que não falta é gato. E cachorro. Os animais convivem diariamente no quintal da dona-de-casa Marisa Meneghetti. Os cachorros são presos em dois canis, mas os gatos perambulam pela casa e não têm o costume de ir para a rua.
Nenhum deles dorme com os donos, mas uma das gatinhas, que fugiu por seis meses e voltou, não se adaptou aos demais gatos e tem uma caminha só para ela na despensa.
Marisa calculou um gasto mensal de R$ 500 no cuidados dos animais, entre ração, banho e tosa higiênica. Cherie, Nina, Gilberto, Clarinha, Mil, Mel, Cacazinha, Denis, Mima, Max, Zecão, Zequinha, Pretinha e Luli agradecem. ''Sempre que posso passeio com os cães e faço a higiene diária do quintal. Tudo que é dos animais é separado''.
Apesar de não dormirem juntos, os donos estão sempre acariciando os pets. ''Minha família toda está no Sul, por isso acho que tenho tanto bicho. Acho que é para aplacar a carência. Os amigos a gente não pode pegar no colo e fazer carinho como com os gatos'', comparou.
Segundo a dona-de-casa, ''com um mínimo de cuidado, os animais têm uma qualidade de vida boa''. ''Nunca tive problemas de doença com os meus bichinhos. Só o Zecão que tem câncer na próstata, mas porque já está mais velho.'' Para Marisa, ''o importante é dar carinho. Quanto mais se dá, mais se recebe'', ensinou.


