Petróleo descoberto em Joaquim Távora é 'ruim'
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quarta-feira, 19 de julho de 2006
Fábio Cavazotti<br> Reportagem Local 
A qualidade do petróleo encontrado na divisa dos municípios de Joaquim Távora e Carlópolis (Norte Pioneiro), em março de 2005, é imprópria para produção de combustíveis e lubrificantes. Os testes realizados no laboratório do Departamento de Geologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) mostraram que se trata de petróleo ''biodegradado''. A descoberta chegou a despertar esperanças de que o óleo pudesse dar início a um novo ciclo econômico na região, mas o laudo técnico sepultou as expectativas.
''Ele é muito ruim, não serve como petróleo que nós conhecemos. A gente chama de asfalteiro, porque pode ser usado para produção de asfalto. Só que no caso de Joaquim Távora está a 300 metros abaixo da superfície e não é viável explorar'', explica o professor Fernando Mancini. De acordo com ele, em São Paulo existem algumas ocorrências de óleo asfalteiro que brotam na superfície e são aproveitadas por prefeituras de cidades do interior para pavimentação.
Na opinião do professor da UFPR, a descoberta do petróleo no Norte Pioneiro indica que podem haver outras fontes de hidrocarbonetos na região. ''Isso mostra a possibilidade de haver petróleo em outros pontos da bacia sedimentar do Paraná.'' Mancini explicou ainda que a Petrobras tem realizado estudos na bacia litorânea do Paraná em busca de petróleo e gás natural.
O petróleo de Joaquim Távora foi descoberto, por acaso, pela Sanepar, durante a perfuração de um poço de água. Ao encontrar óleo no local, a empresa contactou a Agência Nacional do Petróleo (ANP) e professores da UFPR.
O prefeito de Joaquim Távora, William Valter Ovçar (PSL), mostrou indiferença após obter as primeiras notícias de que o óleo é de baixa qualidade, no início do ano. ''Faz tempo que não tinha mais notícias sobre isso'', disse à Folha.


