Petróleo de Joaquim Távora continua no subsolo
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sexta-feira, 12 de maio de 2006
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Joaquim Távora Há um ano, a população de Joaquim Távora (53 km ao sul de Jacarezinho) vivia um momento de euforia, gerado pela confirmação da existência de petróleo no subsolo do município. A Folha registrou as mudanças na rotina da cidade, que passou a receber até a visita de pessoas de fora, querendo ver de perto o cobiçado líquido. Com a passagem do tempo, porém, não surgiu nenhuma perspectiva de exploração comercial do óleo, gerado pela natureza apenas em poucos e privilegiados lugares.
Segundo a assessoria de imprensa da Agência Nacional de Petróleo (ANP), a Bacia do Paraná não foi incluída nas rodadas de licitações anuais de áreas de exploração e produção de petróleo realizadas entre os anos de 2002 e 2006, e embora ainda exista a possibilidade de voltar a ser incluída em futuras rodadas, não há no momento previsão de quando isto deverá acontecer.
A agência explicou que durante o período em que a bacia paranaense foi explorada exclusivamente pela Petrobras (até 1997), cerca de 120 poços exploratórios foram perfurados, os primeiros deles na década de 50. Várias indicações de óleo são reportadas em afloramentos e também em muitas das perfurações efetuadas. Contudo, de acordo com a assessoria, apenas sete poços chegaram a produzir hidrocarbonetos na forma de gás, dentre todos os perfurados.
Em 1997, após a quebra do monopólio, a Petrobras reteve um bloco exploratório da denominada Rodada 0 (BPAR-10). ''Desde 1999, após devolução do bloco BPAR-10 pela Petrobras, a ANP realiza rodadas de licitações anuais de áreas de exploração e produção de petróleo no Brasil, atendendo à determinação da Lei 9478/97 (Lei do Petróleo), que pôs fim ao monopólio da Petrobras. Isto permitiu a atuação de empresas privadas, nacionais e estrangeiras nessas atividades, mediante a assinatura de contratos de concessão'', informou a ANP, através de nota.
Nas rodadas de licitações, são oferecidos blocos exploratórios selecionados pela Agência Nacional a partir de informações obtidas de estudos geológicos e geofísicos nas bacias sedimentares brasileiras. Até hoje foram realizadas sete rodadas de licitações. A Bacia do Paraná foi incluída em três delas, nos anos de 1999, 2000 e 2001. Apenas em 2000 a empresa Coastal (mais tarde vendida à El Paso) arrematou o bloco oferecido, mas o devolveu à ANP em 2004, após a perfuração de quatro poços. Nos outros anos não houve empresas interessadas na exploração.
A ANP explicou que uma de suas atribuições é a realização de estudos geológicos para aumentar o grau de conhecimento sobre as bacias sedimentares brasileiras, e que a Bacia do Paraná é uma das ''prioridades futuras'' da agência.
O petróleo começou a aparecer na região de Joaquim Távora em março de 2005, quando a Sanepar decidiu fazer o teste hidráulico de um poço perfurado dois meses antes na estação de captação à margem do Rio do Meio, manancial que abastece o município. Sobre a água que emergiu havia o líquido preto, que foi submetido a análise da ANP, Sanepar e Universidade Federal do Paraná.


