Joaquim Távora- Petróleo. Um dos minerais mais valiosos, base da matriz energética em todo o mundo, símbolo de riqueza e explendor econômico, produto que gera poder a um povo e que alterou o mapa geopolítico da humanidade. Qual região do Brasil não gostaria de estar sobre um jazida do chamado ''ouro negro''?
Se tudo der certo, a população de Joaquim Távora (53 km ao sul de Jacarezinho) pode começar a comemorar um privilégio que a natureza proporciona a poucos lugares: a Sanepar, a Universidade Federal do Paraná e a Agência Nacional de Petróleo (ANP) confirmaram a existência de petróleo no subsolo do município.
A descoberta surpreendeu até quem passou a vida inteira estudando geologia, caso de João Horácio Pereira, gerente de Hidrogeologia da Sanepar. ''É realmente algo bastante surpreendente, apesar da geologia da região ser compatível com a incidência do óleo'', afirmou o especialista.
A ''grata surpresa'', como qualificou Pereira, começou a se materializar em meados do mês passado, quando a estatal decidiu fazer o teste hidráulico de um poço perfurado em janeiro na estação de captação à margem do Rio do Meio, manancial que abastece o município. ''A água emergiu e chegou a dois metros abaixo da superfície. Sobre ela, havia uma camada de um líquido escuro, o que intrigou a todos que estavam no local'', conta. ''Houve até uma checagem no maquinário para saber se havia algum vazamento no poço e nada foi encontrado''.
Pereira foi ao local e descreveu à Folha as características da substância: ''É um líquido muito escuro, muito viscoso e que tem um odor asfáltico''. Desconfiados, os técnicos da Sanepar enviaram uma amostra do líquido para o Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento (Lactec). A análise apontou que o líquido era mesmo petróleo. Na quinta-feira, a mesma amostra foi enviada ao Rio de Janeiro e, segundo a Sanepar, a agência reguladora teria confirmado o laudo do Lactec. Em nota a imprensa, a ANP negou a informação (leia texto nesta página).
O poço, de 300 metros de profundidade, é uma obra de R$ 40 mil que tinha o objetivo de complementar ou substituir o fornecimento de água potável para a população. ''Agora vamos fazer a perfuração em outro ponto. Para a captação de água, o primeiro posto ficou inviável'', informou, garantindo que a população não corre risco de desabastecimento.
Pereira disse que o petróleo em Joaquim Távora não deve alterar os planos da estatal para o Norte Pioneiro. ''É muito difícil que existam outras ocorrências como esta'', afirmou. Segundo ele, os números comprovam a tese. São 830 poços ativos no Estado, além de outras 5 mil perfurações, nas quais nem uma gota de óleo foi encontrado.
Os 9.551 habitantes de Joaquim Távora, município antigo (fundado em 1929) e pequeno, de 289 quilômetros quadrados, cujo PIB soma cerca de US$ 12 milhões (para uma renda média de R$ 370,16 mensais), sabem que ainda dependem da agropecuária (os dados oficiais apontam que 25,34% da renda advém deste setor) para viver. A cidade que floresceu com a cafeicultura e com os trilhos da Estrada de Ferro da Rede Viação Paraná-Santa Catarina terá que ter paciência. ''Esta pesquisa que UFPR está fazendo é apenas o primeiro passo. Até a possível exploração comercial, terá se passado muitos anos'', afirma Pereira, sob o mais otimista ponto de vista.

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