Marcos NegriniBautista
Vidal:
‘‘O Japão
vira sucata
em três
meses se
faltar
petróleo;
a Alemanha
não tem
mais
petróleo;
os Estados
Unidos têm
petróleo
só para
cinco anos’’‘‘As reservas mundiais de petróleo deverão se esgotar dentro de, no máximo, 30 anos’’, previu ontem em Maringá o conferencista, professor de Termodinâmica, engenheiro e por três vezes secretário de Tecnologia Industrial do Ministério da Indústria e do Comércio, José Walter Bautista Vidal. Ele fez palestra na Universidade Estadual de Maringá (UEM) a convite do Centro Patriótico Tiradentes, OAB e universidade.
Bautista Vidal foi o criador do Proálcool - é bacharel pela Universidade de Santiago de Compostela e engenheiro com pós-graduação em Física pela Universidade de Stanford (EUA. Já escreveu quatro livros sobre a crise energética no Brasil e no mundo. Está terminando o quarto livro: ‘‘Meditação sobre a alienação energética na cultura brasileira’’.
‘‘O Japão vira sucata em três meses se faltar petróleo; a Alemanha tem petróleo para zero ano; os Estados Unidos têm petróleo só para cinco anos’’, disse Vidal. A situação dos países hegemônicos, continuou o professor, é desesperadora. ‘‘E o carvão mineral, responsável por 82% da energia elétrica dos Estados Unidos, corre risco pois as organizações ambientais norte-americanas exigem que este carvão seja cortado em 80% da sua queima. Como é que pode? Se não cortaram, este carvão vai elevar ainda mais a temperatura da terra e piorar o efeito estufa’’.
Com essa perspectiva de o petróleo acabar em 30 anos, afirmou Vidal, o Brasil se transforma rapidamente na maior potência do planeta. ‘‘Essa é que é a nossa tragédia, de um lado, e a nossa grande chance do outro. Nunca nenhum povo, em toda a história teve uma perspectiva como o Brasil está tendo hoje. Nós estamos ao sul do Equador, nos trópicos, temos sol e água, somos a maior fonte de energia do mundo e até agora não vi nenhum candidato a presidente tocar nesse assunto’’, enfatizou o professor.
Ele explicou que ao terminar o projeto do Proálcool, que substituiu a gasolina pelo álcool, deu início a outro projeto, para substituir o óleo diesel por óleos naturais. ‘‘A planta capta energia e através da fotossíntese armazena o hidrato de carbono, ou energia pura, formada a partir do CO2 e da água. São os açúcares, óleos vegetais, amidos, celulose. A Amazônia pode produzir seis milhões de barris por dia de óleo de dendê, produção similar à de petróleo da Arábia Saudita. Preparamos os nossos institutos de tecnologia para fazer a substituição do óleo, mas aí fui demitido’’, lembrou o professor.

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