A superintendência da Petrobras em São Mateus do Sul (120 quilômetros de Curitiba) e representantes do Movimento dos Atingidos pela Petrobras (MAP) se reúnem na próxima semana para iniciarem as discussões sobre a desapropriação de 50 propriedades na área de exploração de xisto. São 165 alqueires, localizados na comunidade de Rio das Pedras, que devem ser desocupados nos próximos três anos.
Os moradores reclamam do descaso da empresa e temem receber indenizações com preços abaixo do mercado ou serem transferidos para locais improdutivos pertencentes a Petrobras, como a região de Turvo Baixo. O lugar tem 100 alqueires que podem ser usados como moeda de troca nas negociações com os agricultores, mas que é descartado pelos moradores. ‘‘O que nos oferecem é um local que necessita de muito investimento. Além disso, teríamos problemas com o Ibama, pois há muita vegetação no terreno, que também é acidentado’’, afirmou o agricultor Anísio Milchelski, 39 anos.
A área que está na mira da estatal será usada para a exploração de xisto betuminoso, mineral de onde é extraído petróleo. Desde 24 de agosto, a Petrobras conseguiu através de um decreto presidencial a liberação de uma área de 15 milhões de metros quadrados para expandir a mineração. A estatal disse estar com recursos liberados, mas não revelou os valores.
Segundo o superintendente da Petrobras, Dórian Luiz Bachmann, a empresa pretende iniciar em breve a análise dos terrenos e imóveis da região, além da contratar profissionais que atuem junto às comunidades para evitar problemas sociais. ‘‘As famílias que precisarem terão acompanhamento psicológico e também orientações para investir o dinheiro, caso vendam as terras’’, disse Bachmann.
Para Milchelski, o principal objetivo do MAP, criado há um ano, é não deixar se repetirem experiências antigas em que as famílias que perderam as casas se transformaram em sem-terra. ‘‘Muita gente recebeu dinheiro sem ao menos ter uma orientação sobre como utilizá-lo. Outros não conseguiram adquirir terras produtivas como as que tinham e algumas famílias simplesmente não se adaptaram à vida fora do campo’’, lembrou.
No projeto da Petrobras está prevista a desapropriação total de 634 alqueires, que atingirá cerca de 300 famílias. Segundo o MAP, essa ação contradiz a empresa que afirma gerar 1,5 mil empregos.

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