Petrobras pretende terminar a limpeza até quinta-feira
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domingo, 23 de julho de 2000
Dimitri do Valle De Curitiba 
Até a próxima quinta-feira, a Petrobras pretende encerrar os trabalhos de retirada do petróleo cru que vazou da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, para os rios Iguaçu e Barigui. A Defesa Civil e a Repar anunciaram ontem que os dois rios estão livres da maior parte das manchas de óleo. Segundo o levantamento oficial, restam apenas 20 mil litros no Iguaçu e Barigui. O trabalho de reflorestamento da região atingida deve ter início em uma semana.
Em balanço divulgado ontem à tarde, a Petrobras estimou que foram recolhidos 2,5 milhões de litros de óleo dos 4 milhões que escaparam da Repar há oito dias. A empresa acredita que 800 mil litros tenham evaporado, enquanto outros 700 mil ainda se concentram no solo e em córregos nos fundos da refinaria, área conhecida como várzea ou ponto zero.
O acesso de jornalistas à várzea está proibido, sob a alegação de que isso pode atrapalhar a remoção do óleo. Esta determinação contraria o que o ministro de Minas e Energia, Rodolfo Tourinho, disse na sexta-feira. Ele prometeu acesso irrestrito das equipes de reportagem a todas as instalações da refinaria. Em compensação, a Petrobras disponibilizou ontem helicópteros para que os jornalistas pudessem acompanhar os trabalhos.
A direção da Repar garantiu que a chuva registrada entre a noite de sexta-feira e durante todo o sábado não complicou a remoção do óleo ou a contaminação dos rios. No entanto, o presidente da Sanepar, Carlos Afonso Teixeira, reconheceu que a água da chuva poderia facilitar a infiltração do produto no subsolo, onde se concentram as reservas de água potável.
O superintendente da Repar, Luiz Eduardo Valente Moreira, explicou que o óleo não vai direto para baixo da terra. A chuva ajuda a expulsar o óleo para cima, fazendo uma lavagaem do terreno, descreveu.
Por causa da lama que prejudicou o trânsito nas estradas de chão, o tráfego dos caminhões usados na remoção do óleo e transporte de material foi paralisado na região do município de Balsa Nova, a 25 quilômetros de Curitiba. Helicópteros prestam apoio para transportar concreto usado na construção do quarto dique de contenção do óleo concentrado no ponto zero ou várzea.
No ponto zero, um engenheiro da Petrobrás, conhecido por Ouriques, tentou reter uma equipe da Folha na manhã de sábado. Questionado sobre a atitude, Ouriques se negou a dar uma explicação, exigindo apenas que o veículo do jornal parasse no acostamento da estrada. A equipe se recusou a acatar a ordem e seguiu viagem para fora do ponto zero. Revoltado, Ouriques chutou a traseira do carro da reportagem.
O superintendente da Repar, Luiz Eduardo Valente Moreira, foi comunicado oficialmente do comportamento do engenheiro durante entrevista coletiva no sábado à tarde. Ele prometeu averiguar a denúncia. Vou ver. Estou sabendo disso agora.


