O ex-deputado Plínio de Arruda Sampaio, 66 anos, de São Paulo, membro da Comissão Brasileira de Justiça e Paz e secretário nacional para assuntos agrários do PT, disse domingo em Cascavel que a reforma agrária ‘‘é uma questão do interesse direto dos cidadãos urbanos e da elite social e econômica do País’’. Segundo ele, a fixação de contingentes no campo significa ‘‘mais produção e menos gente nas favelas. Portanto, menos problemas sociais e de segurança pública, que afetam diretamente as populações urbanas’’.
Sampaio, que é ligado também a movimentos da Igreja Católica, fez palestra na sede do Conselho Regional de Contabilidade. Sampaio disse à Folha que reforma agrária deve ser entendida como ‘‘reforma das estruturas agrárias, e não meramente desapropriação de terra e assentamento de lavradores’’. Além disso, deve levar ‘‘à recuperação da própria cidadania dos envolvidos’’.
Para Sampaio, os ‘‘cidadãos urbanos’’ cada vez mais apóiam a reforma agrária porque ‘‘vão percebendo que isto é de seu próprio interesse’’. ‘‘Estes cidadãos não querem conviver com a insegurança, representada por pessoas sem trabalho que possam tentar lhes tomar alguma coisa’’. Sampaio salienta que, na Europa, governos ‘‘que se sentem responsáveis pela população’’ e a própria ‘‘Ação Católica’’ há muitas décadas fizeram avançar a questão fundiária por interesse próprio.
Paralelamente, cresceria o contingente de trabalhadores rurais ‘‘que não querem vir para as cidades’’ porque teriam perdido ‘‘o imaginário de que a migração resolveria seus problemas, ao dar-lhes casa, trabalho e comida. Para Sampaio, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) também deve ser reconhecido ‘‘como de interesse de toda a sociedade’’ porque a organização evitaria ‘‘a formação de bandos dispersos de desesperados e até mesmo a guerrilha rural’’.
Episódios violentos, inclusive assassinatos, protagonizados por sem-terra e que mancham a imagem da organização perante a opinião pública seriam ‘‘fatos isolados’’, que escapam ao controle do MST.
Segundo ele, no País não há um programa de reforma agrária, ‘‘mas assentamentos pontuais de lavradores, que acabam ficando na dependência do apoio do governo para se manter’’. Plínio de Arruda Sampaio também contesta a pretensão do governo, de assentar 280 mil famílias em quatro anos. ‘‘Seriam necessários uns 50 anos para assentar todos os sem-terra’’, completa.

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