Petição pública pede justiça no caso Estela Pacheco
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terça-feira, 24 de março de 2015
Viviani Costa <br>Reportagem Local 
Londrina Uma cruz para cada uma das cinco datas em que o júri foi adiado. Uma a uma, elas foram fincadas no início da manhã de ontem na praça em frente ao Fórum de Londrina. O gesto simbolizou a dor de parentes e amigos que se uniram com o objetivo de pedir mais rapidez no julgamento do caso Estela Pacheco. A jornalista e professora de música morreu em outubro de 2000, em um crime que chocou a cidade. O protesto foi realizado nesta terça-feira porque era o dia em que a vítima completaria 50 anos.

Estela foi encontrada morta no térreo do edifício Diplomata, na Rua Paranaguá, região central de Londrina. No edifício, morava o namorado dela, o agropecuarista Mauro Janene. Na época do crime, Janene alegou que a professora teria cometido suicídio. Laudos do Instituto Médico Legal (IML) e do Instituto de Criminalística apontaram que Estela foi lançada de uma altura de 36 metros após ser morta. Janene foi denunciado por homicídio simples.
Durante a tramitação do processo criminal ficou decidido que o caso seria levado ao Tribunal do Júri. No entanto, o julgamento foi adiado cinco vezes por diferentes motivos. Na última ocasião, em dezembro do ano passado, um habeas corpus apresentado pela defesa do réu ao Supremo Tribunal Federal (STF) fez com que o júri fosse suspenso.

O promotor Ronaldo Costa Braga destacou que só após a decisão do STF será possível agendar uma nova data para o julgamento. "Nós tentamos evitar esses adiamentos de todas as formas. É um argumento da defesa. O crime prescreve em 2022. Pelos meus cálculos, existe o risco da prescrição porque esse é o primeiro julgamento e ainda haverá possibilidade de recurso. Então isso é o que nos deixa mais perplexos ainda", ressaltou. Braga disse ainda que, casos como esse, são julgados, em média, três anos após os crimes.
A jornalista e advogada Laila Pacheco Menechino tinha apenas 14 anos quando a mãe foi encontrada morta. "O que eu sinto é o contrário daquela dor da saudade, de quando alguém da família morre. Eu já perdi outras pessoas na família. A gente sente aquela saudade e aquela dor na hora, mas isso vai sendo amenizado com o tempo e com as lembranças boas. No meu caso, eu tenho a lembrança boa da minha mãe, mas a dor aumenta cada vez que o júri é adiado", declarou.

Parentes e amigos organizaram a manifestação na manhã de ontem e uma petição pública que já contava com mais de 600 assinaturas até o final da manhã. O pedido não é pela condenação de Janene e sim pela conclusão do julgamento o quanto antes. Janete El Haouli, professora de Estela, lembrou que os bons momentos com a aluna e companheira de profissão. "O nosso sentimento é de impotência. Ela sempre foi uma pessoa doce, mas nunca passiva. Sempre foi muito inquieta e se indignava diante dos absurdos da vida. Vamos lutar por ela", ressaltou. A professora Mira Roxo também se emocionou ao lembrar da amiga. "Estela deixou a marca da alegria. Ela não merecia isso", disse.
No site justicaparaestela.com.br estão disponíveis vídeos, fotos e um breve histórico dos fatos relacionados ao processo criminal e à vida de Estela Pacheco. Na página na internet também é possível assinar a petição pública. A reportagem da FOLHA entrou em contato com o escritório de Mauro Viotto, que defende Mauro Janene, mas foi informada que o advogado está em licença médica desde 23 de fevereiro.


