Depois de um dia de muito trabalho, milhares de funcionários de empresas de Curitiba e Região Metropolitana têm que suar para voltar para casa. O perigo, geralmente, está nos pontos de ônibus ou dentro dos próprios veículos. A rotina de assaltos, estupros, agressões físicas e mortes apavoram os trabalhadores.
‘‘A insegurança está terrível. Se bobear, os marginais arrancam a pulseira e o relógio depois de perguntar a hora’’, diz a promotora Silvana do Rocio Braholka, 26 anos. Ela trabalha no Hipermercado Big e sofre o problema num ponto de ônibus situado próximo à favela da Vila das Torres. Ela afirma que até mesmo os motoristas têm medo de parar no ponto depois das 22 horas. ‘‘Eles passam direto’’, afirma.
A atendente de crediário Alessandra dos Santos, 23 anos, chega a tomar três ônibus para ir para casa, só para evitar o ponto que fica perto da favela. Ela prefere pegar, no ponto mais perto do Big, um ônibus na direção contrária à sua casa, para depois tomar outros dois ônibus e chegar em casa 45 minutos mais tarde.
Os empregados de empresas situadas próximas ao Supermercado Extra também sofrem com o problema. ‘‘É porque a loja fica perto da favela do Parolim’’, diz um dos encarregados da segurança, que não quis se identificar.
A operadora de caixa Patrícia Gutierrez, 20 anos, que toma ônibus no mesmo ponto que Silvana, afirma já ter visto dois assaltos. O gerente de segurança do Big, Pedro dos Santos, afirma que o problema já foi mais grave e que diminuiu depois que o hipermercado pediu mais policiamento ao comando da Polícia Militar. ‘‘Agora caiu quase a zero’’, afirma.
Segundo o assessor da presidência do Sindicato dos Empregados do Comércio, Paulo Zanetti, a insegurança é um dos fatores que faz o órgão ter posição contrária ao trabalho em horários noturnos. ‘‘Com mercados funcionando 24 horas, o trabalhador fica exposto’’, afirma.
Para Zanetti, o maior problema gerado com o trabalho noturno é o transporte dos trabalhadores, já que muitas empresas não levam os empregados para casa. Zanetti argumenta que os turnos em horários avançados não são uma solução para o desemprego.Kraw PenasAlessandra e amigas tomam vários ônibus para evitar determinado pontoJames Alberti

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