Londrina - O enfermeiro Luiz Toshio Ueda é um dos profissionais mais antigos que vêm atuando continuamente em programas de prevenção e tratamento contra a doença na cidade e relembra como eram os tratamentos no início. "Os exames eram feitos no Hospital Universitário da Universidade Estadual de Londrina ou em bancos de sangue. Geralmente quando as pessoas tinham suspeitas de que estavam com a doença e procuravam ajuda já estavam no estágio avançado", relatou Ueda.
O enfermeiro destacou que o perfil do paciente naquela época era formado em sua maioria por pessoas que utilizavam drogas injetáveis, profissionais do sexo, homossexuais e em pessoas mais velhas. "Os sintomas que as pessoas apresentavam eram perda de peso, diarreias prolongadas, manchas na pele e sarcoma de Kaposi, que é um câncer raro do tecido conjuntivo, queda de cabelo por falta de nutrientes", explicou.
"O HU era o hospital de referência e acabava cuidando do paciente até a morte. Geralmente os pacientes eram diagnosticados e quando eram internados não conseguiam mais sair do quarto. Não havia tratamentos. Restava somente tratar os sintomas", relatou Ueda.
Ueda destacou que somente em 1987 surgiu o AZT (azidotimidina), uma das primeiras drogas antivirais aprovadas para o tratamento da aids no Brasil, que começou a ser ministrado como droga experimental. Mas ministrado isoladamente não era eficaz. "Somente em 1996 veio a era dos medicamentos combinados, que vieram a ser conhecidos como coquetel. Para quem não tinha expectativa de vida, os medicamentos proporcionaram uma esperança para os portadores de HIV."
Ueda relembrou que foi nesse mesmo ano que portadores do vírus fizeram uma manifestação no Calçadão de Londrina, pedindo para que o município adquirisse esses medicamentos. Na época o recurso que os pacientes possuíam para ter acesso ao medicamento era a via judicial. "O primeiro município a adquirir o coquetel para seus pacientes em todo o Brasil foi Santos e logo na sequência foi Londrina, o que colocou a cidade como uma das pioneiras a adotar esse tratamento", afirmou.
Segundo ele, o preconceito contra portadores do vírus existe até hoje. "Existem médicos que evitam fazer cirurgias em pacientes com HIV. Eles não manifestam abertamente que não querem atender pacientes com HIV, mas sempre dão desculpas para não atender pacientes com o vírus", revelou o enfermeiro. (V.O.)

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