Pessoas com deficiência lutam para trabalhar
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quarta-feira, 01 de agosto de 2007
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Luis Antônio Cavalheri estava sentado na calçada em frente à casa dele, assistindo a vizinha aprender a dirigir, quando sua vida mudou radicalmente. ''De repente a menina entrou com carro e tudo na frente da minha casa. Eu estava no caminho e fui arrastado junto. Sofri uma lesão medular e perdi o movimento das pernas'', contou. Ele tinha apenas 14 anos. Como nunca tinha trabalhado, ele lutou por 11 anos para conseguir a aposentadoria. ''Precisei casar para ter o benefício porque morava com meus pais e para o governo a renda deles era suficiente para o meu sustento.''
Mas a realidade não era bem assim. Disposto a trabalhar para complementar a renda familiar, o aposentado saiu em busca de emprego, percorrendo a cidade inteira de Arapongas numa cadeira rodas. ''Fui rejeitado em todas as portas que bati.''
Como ele, Marcelo Gomes, 21 anos, também correu a cidade em busca de uma oportunidade de trabalho. E falhou. ''A minha sorte é que consegui me aposentar logo depois do acidente porque estava trabalhando na época'', relembrou. Ele era metalúrgico. Marcelo foi arremessado da garupa da moto e sofreu uma lesão medular há três anos. ''Eu tenho carro, mas dependendo da distância, a gente acaba pagando para trabalhar e não compensa sair de casa.''
Luis se separou e voltou a morar com os pais. Já Marcelo sempre viveu com os avós. Ambos estão dispostos a abrir mão da aposentadoria em troca de um bom salário numa empresa, mas sequer conseguem mostrar do que são capazes por falta de oportunidade.
Percebendo a dificuldade em realocar pessoas com deficiência no mercado de trabalho, uma agência de empregos de Arapongas resolveu mobilizar as esferas pública e privada em prol dos trabalhadores e também das empresas, que precisam preencher as vagas, mas não conseguem por falta de mão-de-obra qualificada.
No próximo dia 13 de agosto, uma reunião no Centro Educacional Moveleiro de Arapongas, envolvendo empresas, Associação de Pessoas Portadoras de Deficiência, representantes da prefeitura e do Ministério do Trabalho, pretende discutir, além da inclusão dos deficientes, a melhoria no transporte coletivo da cidade.
Laudicéia calculou que sobram, hoje, entre 30 e 50 vagas de empregos para pessoas com deficiência em Arapongas, a maioria para o setor operacional. ''Mas é difícil para os deficientes terem contato com os maquinários. Além disso, nem todas as empresas têm infra-estrutura para recebê-los'', assinalou.
Ainda segundo a gerente, muitos trabalhadores já nasceram com alguma deficiência e não tiveram oportunidade de frequentar a escola ou fazer um curso profissionalizante. ''A maioria não troca o benefício, apesar do valor baixo, por medo de perder o emprego e não conseguir reaver a aposentadoria depois'', completou.
A falta de transporte adaptado também é uma dificuldade para os cadeirantes. ''No caso dos deficientes visuais, que precisam de acompanhante, a situação também é complicada porque as indústrias ficam afastadas da cidade'', argumentou Laudicéia.
De acordo com arquiteto Israel Biason Filho, da Secretaria de Obras, Transportes e Desenvolvimento Urbano de Arapongas, ainda não há veículos adaptados às pessoas com deficiência na cidade. ''Fizemos um levantamento do transporte e estamos montando um edital para abrir uma licitação. A idéia é modificar todos os ônibus e fazer pequenas alterações nas rotas para facilitar o acesso dos deficientes ao transporte coletivo'', explicou o arquiteto, ressaltando que o plano deve ser colocado em prática ainda este ano.


