Após cinco anos morando na cidade, o cadeirante Nivaldo de Freitas, 38 anos, foi ontem pela segunda vez ao Calçadão, na Área Central de Londrina. E por um motivo nobre. Entidades de defesa dos direitos das pessoas com deficiência fizeram vistorias em estabelecimentos comerciais e locais públicos para identificar as condições de acessibilidade.
Os grupos identificaram os problemas e cobraram dos responsáveis obras de melhoria. Os transtornos enfrentados pelas pessoas com deficiência no dia-a-dia vão muito além dos degraus e buracos nas calçadas. Estes também bastante graves. A iniciativa fez parte da programação do Dia Nacional de Luta pelos Direitos das Pessoas com Deficiência, comemorado ontem.
Usuário de cadeira de rodas há dez anos, quando sofreu um acidente de moto, Freitas explica que a locomoção é a principal dificuldade, independente do local. Um exemplo é o transporte especializado usado para ir ao médico. ''É muita gente que precisa para pouca condução. Às vezes, as pessoas deixam de ir por isso'', constata.
A falta de áreas de lazer também é alvo de críticas do morador do Jardim São Jorge (Zona Norte). As condições de acesso de cadeirantes a shows ou jogos de futebol, exemplifica Freitas, são praticamente inexistentes.
Para relacionar todos os problemas de acessibilidade de pessoas com deficiência, os grupos espalharam-se pela Área Central. Liderada pela presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Martinha Clarete Dutra, uma equipe esteve numa agência bancária no ínicio da tarde de ontem.
Mesmo com rampa de acesso e porta especial para os portadores de deficiência, o estabelecimento apresentou problemas: demora para abrir o acesso da cadeira de rodas, botões do elevador fora do alcance do cadeirante e falta de terminais de auto-atendimento com som para cegos.
''O degrau no elevador e a demora para abrir a porta foram os maiores problemas'', opinou a cadeirante Claudinéia Cursino Guilherme, 30. Uma cópia do decreto 5.296, de dezembro de 2004, que regulamenta leis sobre condições de acessibilidade, foi entregue à gerência do banco.
Em 3 de dezembro, Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, os grupos deverão voltar aos locais visitados para verificar se modificações foram feitas.
A gerente da agência bancária, Carla Meleck, afirmou que o prédio está em reforma e as intervenções devem abranger as condições de acessibilidade cobradas pelo grupo. Também informou que vai estudar a possibilidade de instalação de caixa eletrônico sonoro. ''Vamos fazer as adequações necessárias e o que não for possível resolver de imediato será encaminhado para o setor de engenharia'', prometeu.

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