Funcionários do Instituto Médico Legal (IML) de Londrina denunciam a falta de material para trabalhar. O setor mais prejudicado é o da necrópsia, onde os auxiliares dos médicos legistas são obrigados a trabalhar sem o mínimo de segurança e material. Um auxiliar que pediu para não ser identificado afirmou à Folha que as luvas mandadas pelo IML de Curitiba, para serem usadas pelo orgão em Londrina, não são impermeáveis. ‘‘Pela luva passa sangue, quando estamos trabalhando, o que nos expõe a doenças, inclusive a AIDS’’, afirmou. Ontem o funcionário estava temerário em fazer autópsia em um suicida, provavelmente contaminado com a doença.
Ele também enfatizou que as canaletas e os canos de saída de água das mesas de autópsia estão entupidos, e a água acaba caindo no chão. Como também no local as torneiras não funcionam, a água é levada em baldes para lavar os cadáveres. Em casos especiais, a lavagem é feita com mangueira, provocando enxurrada de sangue por todo o piso.
O relato do funcionário foi comprovada por repórteres que estiveram ontem no IML. O mau cheiro toma conta do ambiente que, segundo o funcionário, é lavado apenas uma vez por dia. Aos sábados a domingos o setor fica sem limpeza. O responsável pelo IML em Londrina, Ademar Consalter, não foi encontrado para falar sobre as denúncias.

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