A páscoa judaica (Pessach) comemora a libertação do povo judeu do cativeiro no Egito. No entanto, a data marca também outras festividades: a do pão ázimo (Chag Hamatzot) e da primavera (Chag Haaviv). ‘‘O significado de Pessach seria passar por cima, porque neste dia Deus passou por cima das casas dos hebreus, na matança dos primogênitos no Egito’’, afirma Sérgio Feldman, professor de história e hebraico da Escola Israelita Brasileira Salomão Guelmann do Paraná.
O professor explica que a data tem um significado mais amplo, pois equivaleria à festa de independência nacional. ‘‘Pela primeira vez, os judeus tomam consciência de povo, por isso também se comemora a data da libertação (Zemán Cherutenu)’’, diz.
O Pessach começa no 15º dia do primeiro mês do calendário judaico (Nissan - Primavera) e dura oito dias. No entanto, a festa começa a ser preparada bem antes. Durante a semana que antecede a festa, os judeus realizam uma limpeza na casa, retirando todos os alimentos fermentados (chamêts).
‘‘Quando os judeus saíram do Egito, não tiveram tempo de preparar o pão, levando apenas a massa, que criou o pão ázimo ou matzᒒ, explica. Para lembrar essa saída, as famílias deixam de comer pão, nos oito dias de festa, substituindo por alimentos a base de matzá. ‘‘Faz parte da tradição judia dar alimentos e os produtos fermentados a quem passa necessidade’’, diz Feldman, acrescentando que esta ação recebe o nome de Maot Chitin.
Na primeira noite de Pessach (que este ano, caiu no sábado), as famílias se reúnem para fazer uma jantar especial, chamada de sêder, que é baseado na Hagadá de Pessach (ou narração da páscoa). ‘‘O jantar familiar se repete nos dois primeiros e dois últimos dias da festa’’, acrescenta o professor.
Nesse jantar, os judeus preparam uma bandeja especial (denominada Keará), que traz os símbolos da festa. ‘‘Nela estão as raízes fortes e ervas amargas (Maror e Chazeret), que lembram a amargura dos tempos de escravidão; um pedaço de frango ou cordeiro (zeroa), que representa o cordeiro pascal sacrificado, cujo sangue serviu para marcar as portas dos hebreus quando passou o anjo da morte’’, diz.
Além desses alimentos, são colocados na bandeja a água salgada, que lembra a lágrima derramada pelos escravos; o charosset (maçã, nozes, castanha e canela), que lembra os tijolos fabricados pelos judeus; karpas (verdura), que simboliza a primavera e a renovação da natureza; e um ovo (beitzá).
Feldman explica que o ovo, como em diversas religiões, tem um significado especial. ‘‘Ele representa o povo judeu, pois quando cozido, oprimido, fica mais coeso e duro’’, diz. Também tem o sentido de renovação, vida nova. ‘‘Outra explicação é um aviso. Como o ovo não fica em pé, as pessoas podem estar hora em cima, ora em baixo, e por isso devem sempre ajudar uns aos outros’’, comenta.
Na mesa se coloca também três matzot (pães ázimos), que representam as três tribos judias - Cohen, Levi e Israel. ‘‘É guardado também um lugar para o profeta Elias, que passa pela casa para beber uma taça de vinho com a família’’, finaliza.

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