Pesquisas locais serão usadas em trabalho nacional
PUBLICAÇÃO
sábado, 04 de maio de 2002
Chiara Papali<br>Reportagem Local 
Pesquisas realizadas na microrregião de Londrina, desde 1987, com atendimentos a portadores de necessidades especiais, vão servir de base para a sistematização no Brasil de uma nova metodologia de pesquisa e intervenção na área. A sistematização está sendo feita pela pesquisadora Maria Amélia Almeida, uma das fundadoras do curso de pós-graduação em Educação Especial da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Ontem, ela ministrou o curso Ensinando e Pesquisando em Educação Especial durante o 3º Congresso Brasileiro Multidisciplinar de Educação Especial.
Ela desenvolve o tema através do pós-doutorado na Universidade Athens Georgia, nos Estados Unidos, e explica que o conceito é validar a pesquisa individual comparando o sujeito pesquisado com ele mesmo, verificando para isso seu patamar inicial e sua evolução. Muitas síndromes não são tão comuns, tem suas características especiais, e não haveria como realizar pesquisas com grupos, explicou. O método Delineamentos de sujeitos como seu próprio controle, desenvolvido por três pesquisadores americanos, em 1968, foi aplicado na Educação Especial dos Estados Unidos pelo professor David Gast, que agora é orientador de Maria Amélia.
A proposta da pesquisadora é que através da observação do comportamento do deficiente, intervenções mais eficientes possam ser propostas. Uma das características do método é que pode ser desenvolvido pelos próprios professores e outros profissionais que lidam diretamente com o portador de deficiência, o que torna a intervenção mais eficaz. Desmistifica a visão de que a pesquisa só é feita em laboratório, e proporciona mudanças nas próprias escolas especiais, afirmou.
O trabalho do professor ou pesquisador, de acordo com Maria Amélia, começa com o registro diário dos avanços do portador de deficiência. A partir disso é definido o patamar do que o indivíduo é capaz ou não de realizar, para então serem definidas as estratégias de intervenção com esse indivíduo, explicou. O registro diário é importante, segundo a pesquisadora, para avaliar, depois de um período de tempo, os resultados obtidos com as intervenções. Além de sistematizar a forma de atuação do professor, suas experiências não ficam restritas apenas a ele, ressaltou.
Mais de 20 pesquisas em Londrina e região, e 15 na cidade de São Carlos, no estado de São Paulo, foram orientadas pela professora desde 1987 e agora esse material será transformado num livro, que deve ser lançado no início do próximo ano.


