Pesquisas começam em abril ReproduçãoCom a ajuda de um secador de cabelos, Bernard Buigues expõe uma parte da crina peluda das costas do mamute Da Redação O pesquisador francês Bernard Buigues é talvez o mais importante estudioso do Pólo Norte, tendo organizado mais de vinte expedições, principalmente na região siberiana e ao Alto Ártico. Qual foi o seu primeiro contato com o mamute? Buigues - O mamute foi descoberto em 1997 por um grupo nômade de criadores de renas, de uma tribo da Sibéria, conhecidos como dolgans, que encontrou suas presas saindo do solo congelado. Eles removeram as presas por causa do seu alto valor. Um ano mais tarde eu encontrei um deles – Guenadi Jarkov – quando ele estava a caminho do mercado para vender as presas. O mamute está intacto? Não. Eu comecei a escavar no local em abril de 1998, e retirei partes da cabeça, que havia começado a deteriorar devido à exposição. Enquanto escavava encontrei pêlo, pele e carne, e chamei alguns cientistas. Que métodos foram utilizados para ajudar a determinar que a maior parte do mamute ainda se encontrava congelada no solo? Quando percebi que estava lidando com mais do que apenas ossos, liguei para o cientista Peitr Wikstron, cujo radar sugeriu que uma boa parte do corpo do mamute ainda estava intacta, enterrada no solo congelado, talvez até com seus órgãos internos. Cálculo de idade através do carbono foi utilizado em um dos seus dentes, mostrando que o mamute tinha aproximadamente 20 mil anos e 46 anos de idade quando morreu. O que foi necessário para erguer o mamute do solo? Primeiro foi necessário cavar uma vala ao redor do mamute, utilizando britadeiras. Em seguida nós inserimos vigas de ferro por baixo do bloco de terra, envolvendo o mamute. Os suportes deveriam ser encaixados corretamente, antes que o último pedaço do solo congelado, abaixo do mamute, pudesse ser cortado. Uma vez que os suportes estavam em seus devidos lugares, nós os levantamos ao mesmo tempo, criando um tipo de plataforma sob o mamute. Depois, nós envolvemos o bloco com cabos industriais de 76 milímetros de espessura, que foram presos ao helicóptero. Descreva seus sentimentos, no momento em que o mamute foi erguido do solo Eu estava tremendo, de emoção e de frio. As hélices do helicóptero eram tão grandes, e estavam gerando um vento terrível. Minhas mãos estavam congelando. No começo eu não acreditava que o mamute poderia ser erguido por causa do peso do bloco, cerca de 21 toneladas métricas. Eu estava com medo de que alguém pudesse se machucar ou de que o helicóptero pudesse cair. Lentamente, o bloco de gelo foi erguido e começou a voar em direção a Khatanga. Foi uma visão linda. Por que você decidiu colocar as presas de volta no bloco de gelo, para o transporte aéreo? Eu fiz uma homenagem ao mamute. Não achava que seria apropriado para ele, viajar sem suas presas, por isso nós as colocamos novamente junto ao bloco. Tomamos o cuidado de colocá-las no lugar a posições corretos. Onde o mamute está sendo mantido? O bloco foi levado para uma caverna congelada em Khatanga. O seu interior é muito escuro e as paredes e o solo cobertos de gelo. Não é o ambiente mais confortável para os cientistas, mas é a única forma de evitar a decomposição do animal, enquanto são realizadas as pesquisas.