Londrina – Professores e alunos do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Estadual de Londrina (UEL) fizeram ontem o teste final da cadeira de rodas movida a sopro e sucção. O projeto inovador, desenvolvido na instituição nos últimos 13 anos, foi aprovado por para-atletas da equipe de Basquete que treina na UEL. Após pegarem o jeito dos comandos, eles percorreram toda quadra do Ginásio Central usando apenas a boca.
Luiz Gustavo Belisário, de 21 anos, trocou a cadeira usada no basquete pela elétrica movida por sopro. Os primeiros movimentos foram descoordenados. Em vez de uma virada leve para a esquerda, giros completos. "Calma que já aprendo", brincou. O controle se dá por dois canos plásticos. No primeiro, a sucção impulsiona a cadeira para frente, já o sopro funciona como a marcha ré. No outro tubo, com o mesmo procedimento, o cadeirante alterna a direção entre esquerda e direita. O paratleta Antônio Fernandes também testou e aprovou. "Vai ser um avanço incrível para os tetraplégicos", comentou.
A professora Sílvia Cervantes explicou que ainda se trata de um protótipo, mas garantiu que já há condições de uso. "O principal nós conseguimos, agora faremos alguns ajustes para melhorá-lo", adiantou. Segundo ela, o produto é destinado para tetraplégicos, que perderam os movimentos dos braços e pernas. "Não é o caso dos para-atletas, que movimentam os braços, mas eles têm melhores condições de avaliação que as pessoas com todos os movimentos", disse. Após o teste com cadeirantes, ela espera dar o último passo para concluir o processo de registro de patente.
De acordo com Sílvia, outras cadeiras movidas por sopro existem no exterior, porém os preços atingem até R$ 70 mil. "Por isso desenvolvemos uma cadeira de baixo custo, para que todos possam ter acesso", frisou. O preço estimado da cadeira desenvolvida na UEL é de R$ 4 mil, mas a equipe de pesquisadores já planeja trabalhar para reduzir este valor. "Por enquanto a interface elétrica está instalada em uma cadeira comprada. Há planos de desenvolvermos também a cadeira. Isso deve reduzir até 50% dos custos", apontou o professor Ruberlei Gaíno.

Processo de criação
Nos 13 anos de desenvolvimento, sete professores e cerca de 15 alunos de graduação e pós-graduação passaram pelo projeto. O idealizador, no entanto, foi o professor Walter Germanovix, que ao assistir a refilmagem de Janela Indiscreta (1998), com o ator Christopher Reeve em uma cadeira parecida, resolver iniciar as pesquisas para desenvolver o protótipo. "Fiquei maravilhado com a possibilidade de oferecer mais autonomia para pessoas tetraplégicas. Hoje demos uma grande passo", comemorou.
Em 2001, ele anotou os primeiros rascunhos da cadeira. Dois anos depois, o primeiro protótipo, feito a partir de sucata de impressoras, foi apresentado em um simpósio de tecnologia em Bauru (SP). A partir de 2007, com incentivo da Secretaria de Ensino Superior, Ciência e Tecnologia (Seti) e da Fundação Araucária, as pesquisas ganharam consistência. Problemas como os trancos na arrancada foram suavizados, o que tornou o invento mais seguro. "Só de pensar que um deficiente poderá ir até a janela, ou sentar-se em frente à TV sozinho, já é muito gratificante", afirmou Germanovix.
Com a patente da interface eletrônica registrada, a tecnologia pode ser transferida para empresas que tenham interesse em fabricar o produto em escala comercial. Ainda não há estimativa de quanto tempo a cadeira vai levar para entrar no mercado, mas a equipe de pesquisadores está otimista e acredita que, em um ano, os primeiros modelos estejam à venda por preços justos.

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