Maringá- Há um ano as condições de vida e saúde de bebês de risco e suas mães têm sido objeto de estudo em Maringá (Noroeste). O projeto é desenvolvido pelo Departamento de Enfermagem da Universidade Estadual de Maringá (UEM), com o objetivo de monitorar, ao longo do primeiro ano de vida, todos os bebês incluídos no Programa Municipal de Vigilância do Bebê de Risco, criado há nove anos pela Prefeitura como determinação do governo federal.
Professores, alunos e enfermeiros voluntários formaram 11 equipes, que se dividiram por subregiões da cidade para visitar as famílias em domicílio. Serão seis visitas durante toda a pesquisa, que têm início aos 15 dias de vida do bebê e termina quando a criança completa um ano de idade.
Participam do projeto bebês nascidos com peso menor que 2,5 quilos, pontuação apgar - nota atribuída ao recém-nascido de acordo com as condições de nascimento e respiração do primeiro ao quinto minuto de vida - menor ou igual a 7 no quinto minuto de vida, idade gestacional inferior a 36 semanas, que apresentam algum tipo de anomalia, filhos de mães portadoras do vírus HIV e com idade materna menor ou igual a 17 anos. Também são levados em conta critérios como condição socioeconômica da família e uso de drogas pela mãe.
Segundo a enfermeira Sônia Marcon, coordenadora do projeto, dois funcionários e um enfermeiro da Secretaria de Saúde de Maringá são responsáveis por identificar os bebês de risco logo após o nascimento, em visitas aos hospitais. ''Descobrimos que a maioria das mães não sabia da existência do programa municipal, nem que há diferença no tratamento de bebês de risco. Muitas também não realizavam nem uma consulta mensal nas unidades de saúde, como é indicado'', cita Sônia, informando que o projeto tem como base as fichas encaminhadas às unidades de saúde pela equipe da Secretaria.
Dos bebês nascidos em Maringá entre maio e outubro do ano passado, período escolhido para a pesquisa, 384 foram considerados de risco, o que representa 17,24% do total. Conforme Sônia, destas famílias, 38 se recusaram a participar do projeto, 23 mudaram de cidade, 21 foram excluídas por não residirem na cidade, oito informaram um endereço inexistente e 12 bebês foram a óbito.
''Nas visitas, as equipes pesam e medem o bebê e acompanham o desenvolvimento neuromotor da criança'', informa a coordenadora. Segundo ela, as visitas domiciliares também têm o objetivo de conhecer o perfil de morbidade das crianças e das mães, ''quantas vezes ficaram doentes, que doença tiveram, se precisaram ser internados'', define Sônia, lembrando que as equipes também identificam os recursos e a rede social das famílias em situações cotidianas e de alteração na saúde e as facilidades e dificuldades das famílias no cuidado com as crianças consideradas de risco.
Outro subprojeto da pesquisa analisa a assistência prestada aos bebês de risco nas unidades básicas de saúde, conforme preconiza a Secretaria de Saúde de Maringá, verifica a qualidade dos registros nos prontuários e compara a assistência prestada pelas redes municipal e privada, segundo a percepção das mães. Da pesquisa sairão três dissertações de mestrado, sete projetos de iniciação científica e um trabalho de conclusão de curso.
Critérios usados para definir os bebês de risco foram o destaque da pesquisa até agora, declara a coordenadora. Segundo Sônia, em 85 casos o único critério determinante é a mãe ter 17 anos ou menos. ''Mãe adolescente não é necessariamente um indício de risco'', opina a enfermeira, reforçando que ''se os critérios fossem melhor definidos, o número de bebês atendidos pelo programa municipal seria menor e o atendimento, mais qualificado''.
Ela informa que os resultados do projeto deverão ser usados para ajudar a Secretaria a melhorar o programa municipal. Conforme ela, dos 282 bebês visitados, apenas 20 apresentam alguma anomalia. ''Muitos bebês se recuperaram bem da condição de prematuros e nem precisariam ser incluídos no programa municipal.''

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