Pesquisadores lutam por verba
O crescimento da produção de alimentos pela simples troca de sementes ou o tratamento eficiente de tumores com o uso de plantas medicinais. Soluções alternativas como estas estão sendo mostradas no 6º Evento de Iniciação Científica da Universidade Federal do Paraná (UFPR). A mostra é fundamental para garantir recursos para o Programa de Iniciação Científica do próximo ano, já que o governo federal anunciou corte de 20% nos investimentos.
Este ano 547 trabalhos inéditos foram produzidos entre os graduandos. O aumento da produtividade da cana-de-açucar através de procedimentos genéticos que elevam o teor de sacarose da planta é um dos projetos. Outro que se destaca nesta área é a utilização de fungos para diminuir a toxicidade e aumentar a quantidade de proteína da palha de café, que depois deste processo passa a servir como importante fonte de proteína para o gado. Segundo o pró-reitor Waldemiro Gremski, os 40 melhores trabalhos serão premiados e publicados em revistas especializadas.
Como exemplo de trabalhos anteriores que ganharam notoriedade está o transplante de medula óssea, que começou há 25 anos. A fixação de nitrogênio nas plantas através de bactéria, desenvolvida há 15 anos, hoje são utilizados nacionalmente. Mais recentes, as pesquisas envolvendo soro específico contra a ação da aranha-marrom e o uso de plantas medicinais no tratamento do câncer.
Apesar dos bons resultados ao longo dos anos, o pró-reitor diz estar preocupado com os cortes de verbas. Todos os participantes do Programa de Iniciação Científica são bolsistas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) e recebem R$ 250 ao mês para trabalhar orientados pelo professor. No Paraná, a verba ultrapassa R$ 1 milhão ao ano. São 300 bolsas de mestrado que pagam R$ 750/mês e outras 300 de doutorado que distribuem bolsas de R$ 1,1 mil. Existem ainda pesquisas em parceria com institutos estrangeiros e empresas como Inepar, Siemens, Copel e Furukawa. Como não sabemos ainda como os cortes vão se refletir na pesquisa temos que planejar os investimentos e resistir com idéias, diz.





