Pesquisadores encontram mais peixes
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segunda-feira, 14 de agosto de 2006
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Pesquisadores da Universidade Estadual de Londrina (UEL) encontraram mais exemplares da espécie nova de cascudo descoberta recentemente no rio Tibagi, em Ortigueira (113 km ao sul de Apucarana). Aproveitando a seca, que acabou facilitando a coleta de peixes, professores e alunos de pós-graduação conseguiram confirmar que aquela região é habitat do cascudo ainda não descrito na literatura científica.
A reportagem da Folha acompanhou a primeira visita ao local, realizada no último dia 22 de julho, quando a ictióloga Sirlei Bennemann deparou-se com o peixe em um trecho do Tibagi, próximo à aldeia kaingang de Mococa. Após análise em laboratório da UEL, especialistas em cascudos confirmaram que tratava-se de espécie nova. Dessa vez, a coleta foi feita no ponto onde está prevista a construção da Usina Hidrelétrica (UHE) Mauá, perto da divisa entre Ortigueira e Telêmaco Borba.
''Encontramos mais duas amostras da espécie nova e dá para concluir que aquele local pode ser preferencial para ele. Tem cascudo que tem em todo lugar, até no Lago Igapó. Este não, é uma espécie muito particular e muito exigente do ponto de vista da qualidade da água'', explicou Sirlei. Ela frisou que o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) elaborado pela empresa responsável pelo projeto da UHE Mauá não traz nenhuma referência a essa espécie.
Além dela, foram coletadas outras 17 espécies no rio Tibagi e seu afluente, o Barra Grande. Mesmo afetado pela seca, o cenário local foi definido como ''um paraíso'' pela professora Josefa Yabe, do departamento de Química da UEL, que integrou o grupo de pesquisadores. ''Conheço muitos rios brasileiros e posso dizer que o Tibagi é um dos mais bonitos'', considerou.
Josefa alertou que a construção de uma hidrelétrica no local, com alagamento do rio e destruição de grande número de árvores, tornará ainda mais sérias secas como a que estamos vivenciando este ano. ''Eu nunca vi uma situação como esta. E pode piorar se cada um de nós não pensar em sua responsabilidade com o meio ambiente'', frisou.
O Ministério de Minas e Energia marcou para o dia 10 de outubro o leilão que irá ofertar a concessão da UHE Mauá, entre outras. Em dezembro do ano passado, a Justiça Federal de Londrina concedeu liminar excluindo a UHE Mauá do leilão realizado à época. A justificativa foi de que era necessário um estudo mais detalhado de toda a bacia do Tibagi e de que a aprovação não era de competência do Estado, mas do governo federal via Ibama uma vez que o empreendimento irá afetar reservas indígenas.
A Frente de Proteção do Rio Tibagi, constituída por diversas entidades e representantes de instituições como a UEL e a Universidade Estadual de Maringá (UEM), já colheu cerca de 6 mil subscrições para o abaixo-assinado contrário à construção da Usina Mauá. De acordo com Sirlei, o documento e os relatórios das pesquisas realizadas em Ortigueiras serão encaminhados ao Ministério Público Federal (MPF).


