Pesquisadores denunciam falta de ética
O manifesto dos pesquisadores Kimiye Tommasino, Francisco Silva Noelli e Lúcio Tadeu Mota, das universidades estaduais de Londrina e Maringá, mostra preocupação e denuncia atitudes consideradas anti-éticas. Segundo os pesquisadores, a antropóloga Cecilia Maria Vieira de Helm, não está, sequer, considerando os procedimentos dispostos no artigo 231 da Constituição Federal, e já está discutindo os meios de indenização, caracterizando uma forma de induzir os índios a aceitarem a inevitabilidade das usinas hidrelétricas.
Os pesquisadores lembram ainda que, durante um seminário ocorrido na Universidade Estadual de Londrina, onde se discutia meio ambiente, realizada pelo Núcleo de Estudos de Meio Ambiente, em junho de 98, a antropóloga, depois de apresentar o laudo, resultado de seu trabalho, afirmou ao público presente que considerava inexorável a construção das barragens, configurando-se que a professora já trabalhava com a pressuposição da construção das usinas na bacia do Tibagi.
Da mesma forma, ao expor para os índios (e às instituições envolvidas) como eles deveriam negociar a indenização, a antropóloga Cecília Helm estava induzindo os índios à idéia da inexorabilidade da construção advogando em prol das causas da usinas e, contrariando princípios éticos elementares está considerando que etnocídio e ecocídio tem preço de mercado. No nosso entendimento, baseado em pesquisas e na opinião dos kaingang e Guaranis, não há dinheiro que indenize a perda de uma cultura. Não há dinheiro que pague pelas matas e pelas corredeiras e tudo o mais o que existe naquelas terras dos vales dos rios.





