Pesquisadores definem uso de aquífero
Especial para a Folha
Disciplinar o uso do aquífero Guarani, o maior reservatório de água potável do mundo, é a tarefa a que se propõe um dos grupos de trabalho da Associação Universidades Grupo Montevidéu, que reúne pesquisadores de 12 instituições de ensino superior dos quatro países integrantes do Mercosul. O desafio é estabelecer regras que permitam a exploração econômica do aquífero aliada à sua conservação. O aquífero Guarani se estende desde o planalto central brasileiro até o Norte da Argentina, abrangendo grande parte do Paraguai e Uruguai, e cujo volume de água seria suficente para abastecer toda a população do Brasil por 2.500 anos. No Paraná, ele está localizado principalmente nas regiões central e oeste.
O grupo esteve reunido esta semana, em Curitiba, durante o Seminário Internacional por uma Cultura de Paz, onde promoveu uma oficina sobre o assunto. Segundo o geólogo André Bittencourt, diretor do setor de Ciências da Terra da Universidade Federal do Paraná (UFPR), atualmente o Guarani é pouco explorado se comparado ao seu potencial. Passando pelo sub-solo do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, o aquífero tem extensão de 1,15 milhão de quilômetros quadrados e volume de água de 37 mil metros cúbicos.
O nome Guarani foi adotado pelos países do Mercosul para unificar a nomenclatura, mas em cada país o aquífero tem um nome diferente. No Brasil é conhecido como Botucatu. Com este nome, ele abastece principalmente o estado de São Paulo. A cidade de Ribeirão Preto é abastecida inteiramente por ele, e no hotel Mabu, em Foz do Iguaçu, há um poço de água termal que é dele, cita Bittencourt.
O primeiro passo, para o grupo, é fazer um estudo completo sobre o aquífero, de modo a estabelecer um plano de exploração racional de suas águas. É preciso ver quanta água se pode extrair para não comprometer o aquífero na região, diz Bittencourt. O geólogo Ernani Francisco da Rosa Filho, professor da UFPR e coordenador do projeto Guarani, ressalta que este é um projeto de desenvolvimento econômico para as regiões. É preciso caracterizar a qualidade da água em todo a extensão do aquífero, estabelecendo qual o melhor destino para a água em cada local, se para irrigação, para termas, para abastecimento, diz.
Ele lembra, ainda, a importância de se aliar, à economia, a preocupação com a conservação do aquífero para as futuras gerações. A água de superfície está acabando com a industrialização, as ocupações. O preço que nós pagamos pela comodidade, pela modernidade é o meio ambiente e cabe a nós tentar preservá-lo.
Para custear este projeto, o grupo vem fazendo várias abordagens. Em reunião recente com representantes acadêmicos da Espanha, Portugal, Itália e Alemanha, na 5ª Convocatória da Comunidade Européia, foram solicitados US$ 2 milhões, que serviriam para custear a coleta de material e análise das águas. O projeto está orçado em US$ 8 milhões, quantia já solicitada ao Banco Mundial.





