Pesquisadores debatem terapia celular
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 01 de outubro de 2008
Carolina Gabardo Belo<br>Equipe da Folha 
O Brasil está muito avançado no estudo da utilização de células-tronco. A afirmação é do pesquisador Paulo Brofman, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). As células-tronco são uma nova alternativa para as doenças sem tratamento ou consideradas incuráveis, como câncer, diabetes, seqüelas de derrames, cicatrizes de infarto do miocárdio. Aproximadamente 180 pesquisas brasileiras mencionam a terapia celular.
"Essas células se dividem facilmente e se diferenciam, ou seja, se transformam em algum tipo de tecido do órgão danificado. Elas possibilitam a regeneração de órgãos como coração, pâncreas, fígado e pulmão", explica o pesquisador. Brofman conta que os estudos na área começaram em 1995 e em todo o mundo são realizados diversos projetos sobre os diferentes tipos de células-tronco, a cura de diferentes doenças e as diferentes maneiras de transplante. Além do Brasil, há destaque para os estudos realizados na França, Alemanha, Espanha, Estados Unidos, Inglaterra.
Para apresentar os novos avanços na terapia celular, como a aplicação de células-tronco embrionárias e adultas, aplicação em doenças do coração e neurológicas, Curitiba sedia até o dia 4 de outubro o III Simpósio Internacional de Terapia Celular, promovido pela Associação Brasileira de Terapia Celular, em parceria com a Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz) e PUCPR. O evento conta com a participação de 600 cientistas e pesquisadores da área. Serão oito palestrantes da Argentina, França, Canadá e Estados Unidos e quase 50 pesquisadores nacionais. Além dos debates, serão apresentadas mais de 160 pesquisas do país.
Entre os principais debates está o desenvolvimento da primeira linhagem de células-tronco embrionárias do país, que possibilita o teste de diferentes doenças, a criação da Rede Nacional de Terapia Celular e de uma possível rede de cooperação entre Brasil e Argentina. A previsão é que a rede nacional entre em funcionamento no final do ano e ofereça infra-estrutura para que os grupos de pesquisa atuem em conjunto. Com a integração, os centros de pesquisa terão maior acesso a equipamentos e cursos. O Ministério da Saúde pretende disponibilizar R$ 21 milhões para esse projeto.
Doenças cardíacas - O coordenador de Ensino e Pesquisa em Cardiopatias do Ministério da Saúde e do Instituto Nacional de Cardiologia Laranjeiras, Antonio Carlos Campos Carvalho, apresentou, ontem, uma pesquisa com células-tronco no tratamento de doenças cardíacas, em que o Brasil desenvolve a maior pesquisa do mundo na área. A proposta é combater as quatro principais doenças cardíacas: Doença de Chagas, isquemia crônica, infarto e inchaço do coração. De acordo com o pesquisador, o potencial das pesquisas é animador, uma vez que a terapia celular possibilita a regeneração dos tecidos cardíacos.


