Pesquisadores da UFPR (Universidade Federal do Paraná) descobriram fósseis do período chamado Devoniano, entre 416 milhões e 359 milhões de anos atrás, anterior aos dinossauros. Os coleta foi feita por alunos e professores da instituição, em pontos estratégicos dos municípios de Ponta Grossa e Jaguariaíva (Campos Gerais), onde rochas dessa era geológica estão expostas na superfície. Os fósseis são de espécies de serpente e estrela-do-mar.

Imagem ilustrativa da imagem Pesquisadores da UFPR descobrem fósseis mais antigos que dinossauros
| Foto: Divulgação/UFPR

A descoberta revela duas novas espécies, dois novos gêneros e uma nova família de equinodermos, grupo de invertebrados tipicamente marinhos. Atualmente, existem mais de duas mil espécies vivas de ofiuroides e mais de 1,5 mil espécies vivas de estrelas-do-mar.

O estudo de iniciação científica do estudante Malton Carvalho Fraga, do curso de geologia, com orientação da paleontóloga e professora do Departamento de Geologia da UFPR, Cristina Silveira Vega, foi publicado em janeiro na revista científica internacional Journal of South American Earth Sciences. O artigo mostra a diversidade e riqueza fossilífera dos Campos Gerais e a pesquisa é pioneira em detalhar fósseis de serpentes do mar (ofiuroides) e estrelas-do-mar das rochas do período Devoniano do Brasil.

Para a professora Cristina Silveira, a descoberta também consiste no entendimento da vida que passou pelo planeta ao longo dos anos e as pessoas não sabiam. “O estudo desses seres (estrelas-do-mar e serpentes do mar) é tão importante quanto o de animais maiores, como os dinossauros”, destacou.

Fraga explica que a coleta é difícil por serem animais de vida livre e com mais facilidade de escapar de soterramentos, que os preservariam como fósseis. “Este trabalho só foi possível por conta dos esforços de muitas outras pessoas que, durante décadas, coletaram e guardaram cada um desses fósseis”, disse.

Ao descrever as amostras coletadas, os pesquisadores notaram características peculiares que não se encaixavam em nenhuma espécie conhecida. Para chegar aos resultados, um dos desafios foi a descrição morfológica detalhada da espécie.

Dentro da taxonomia, uma família é uma classe mais abrangente que um gênero, que por sua vez é mais abrangente que a espécie. O gênero Paranaster e a família Paranasteridae foram nomeados pelos pesquisadores em homenagem ao estado do Paraná. As descobertas foram a família Paranasteridae, o gênero Paranaster, a espécie Paranaster crucis (estrela-do-mar), o gênero Magnasterella e a espécie Marginix notatus (serpente do mar).

mockup