Pesquisadores da UEL criticam
Para o Grupo de Pesquisas em Qualidade de Energia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), a mudança na voltagem das lâmpadas brasileiras é um contra-senso. O fornecimento de energia elétrica no Brasil está à beira do colapso e o País não pode se dar ao luxo de mais esse desperdício, afirma um dos diretores do Grupo, o professor Fernando Mangili, da Faculdade de Engenharia Elétrica da universidade. De acordo com ele, o Brasil paga um custo pesado por ter relegado a segundo plano os projetos de conservação e uso racional de eletricidade. Os números assustam: cerca de 17% da energia elétrica produzida no país é perdida no meio do caminho por falta de redes eficientes de distribuição, e quase a mesma quantidade é desperdiçada pela população em banhos demorados, aparelhos e lâmpadas acesas sem necessidade e uso incorreto de instalações.
Os black-outs - ou apagões - são apenas a pequena parte visível desta crise. Ironicamente, e para sorte da população, nós só não estamos vivendo em pleno racionamento de eletricidade porque a crise econômica derrubou a produção industrial e consequentemente o consumo de energia caiu, diz. Diante deste quadro, o Grupo de Pesquisas da UEL se posiciona abertamente contra a mudança de voltagem nas lâmpadas brasileiras.
Além de trazer surpresas desagradáveis ao consumidor, ela coloca por terra todos os esforços que estão sendo feitos para economizar energia, como o horário de verão e as campanhas publicitárias veiculadas a alto custo para o contribuinte em horário nobre das televisões, adverte Mangili. Segundo ele, a mudança só foi útil para as empresas de lâmpadas, que estão vendendo em dobro. (P.SM. e A. C.)





