Londrina

Cesar AugustoBusca de respostasCristina Gonçalves e José Aparecido Fidélis: pesquisa para conhecer a causa da pouca procura pelos alunos da rede pública por cursos concorridos da UELOs professores que lecionam no 2º grau da rede pública de ensino parecem culpar os próprios alunos ou o nível social deles pelo pouco sucesso que alcançam quando prestam vestibular. Esta foi a conclusão da pesquisa feita pelos professores José Aparecido Fidélis, do departamento de Matemática da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e de sua filha, a também professora Cristina Faria Fidélis Gonçalves, do departamento de Matemática Aplicada.
Auxiliados por 25 alunos do curso de Matemática, eles aplicaram questionários em 61 professores do 2º grau de 15 escolas da rede pública de Londrina. A pesquisa tinha como principal objetivo buscar, junto aos professores, respostas para a pouca procura dos alunos de escolas públicas pelos cursos mais concorridos da UEL.
‘‘Quanto menos procurado o curso, maior é o número de alunos das escolas estaduais inscritos. Para muitos destes cursos, o campo de trabalho é restrito. Isso significa que as pessoas menos favorecidas financeiramente vão continuar tendo problema para se colocar no mercado de trabalho após formados’’, conclui José Fidélis.
A idéia da pesquisa surgiu após análise de dados fornecidos pela Comissão Permanente de Seleção (Copese) sobre os aprovados nos últimos vestibulares da UEL. ‘‘A princípio queríamos saber como as escolas públicas estaduais contribuíam no preenchimento das vagas da UEL. Como a Copese já tinha esses dados, buscamos saber os motivos do pouco interesse destes alunos por cursos como Medicina, Odontologia’’, comenta.
De acordo com dados do último vestibular, são provenientes de escolas particulares 95% dos aprovados em Medicina; 90% dos aprovados em Fisioterapia; 94% dos aprovados em Farmácia; 85% dos aprovados em Ciência da Computação; 78% dos aprovados em Engenharia Civil; e 98% dos aprovados em Direito diurno. Por outro lado, no curso de Pedagogia cerca de 90% dos aprovados vieram de escolas públicas.
Nas respostas mais comuns dadas pelos professores que participaram da pesquisa, quase não apareceu a questão do vestibular, a forma como se dá a avaliação, como sendo uma das causas que prejudicam o aluno da rede pública. Segundo Cristina Gonçalves, mesmo não vendo muitos problemas com o vestibular, os professores consideram importante que haja alterações na forma de avaliação dos concorrentes a uma vaga no 3º grau.
‘‘Esta contradição nos leva a concluir que os professores não pensam muito sobre o vestibular. Parece que eles não pararam ainda para pensar sobre isso’’, comenta Cristina. Ainda de acordo com a pesquisa, os professores apontaram preocupação com a qualidade do ensino, mas não apresentaram alternativas concretas para melhorar o quadro. ‘‘Tivemos a impressão que eles estavam sempre analisando os outros e não a si próprios’’, apontam os professores.

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