Pesquisadora propõe comissão para controlar qualidade do ar
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quinta-feira, 22 de outubro de 1998
Israel Reinstein 
A pesquisadora Ziole Zanotto Malhadas, do Núcleo Interdisciplinar de Meio Ambiente e Desenvolvimento da Universidade Federal do Paraná (Nimad-UFPR), e entidades ambientais propuseram a formação de uma comissão extra-oficial de controle e monitoramento da qualidade do ar de Curitiba. Ziole defendeu ontem, no seminário Padrões de qualidade do ar e perspectivas de saúde, um sistema independente de medição baseado em modelos internacionais. No entanto, essa medida é rejeitada por Ana Cecília Nowacki, chefe da divisão de tecnologia ambiental do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) - órgão que atualmente desempenha esta função.
Ana Cecília entende que este é um serviço complexo e precisa ser feito por especialistas. Existe um monitoramento, baseado na resolução do Conselho Nacional do Meio ambiente (Conama) e aprovado pelo Ibama, disse, acrescentando que no IAP quem faz este serviço possui até PhD. Mas Ziole, responsável por um estudo sobre a qualidade do ar na cidade desde 1995, considera que uma comissão independente permitiria à comunidade um acesso mais rápido da medição do ar.
A pesquisadora do Nimad defende ainda que esta comissão seja formada paritariamente, o que evitaria interferências políticas na divulgação dos resultados. Este tipo de parâmetro é o que se emprega mundialmente, defendeu. Mas a chefe do IAP assegura que não há influência política.
Na avaliação de Ana Cecília, a discusão sobre a qualidade de ar deve centralizar-se no estabelecimento de padrões de emissões de poluentes. Não existem padrões fixos na cidade para apontar o grau de poluentes que uma empresa pode emitir, disse. Segundo ela, a atual regulamentação estabelece um padrão universal para todo o Brasil, o que provocaria erros por problemas geográficos.
Atualmente, apenas a cidade de São Paulo possui um padrão específico. Esta questão vem sendo debatida em todo o mundo, em busca de definições para os níveis de partículas que cada cidadão vai respirar, afirmou.


