Pesquisadora demonstra como prever enchentes
Pesquisadora demonstra
como prever enchentes
Guilherme Pupo
Reservatório pode ser mantido mais cheio, gerando mais energiaUm modelo matemático desenvolvido pela pesquisadora Miriam Rita Moro Mine, da Universidade Federal do Paraná, poderá garantir a previsão de cheias com até 48 horas de antecedência e aumentar a segurança para populações vizinhas dos reservatórios de usinas hidrelétricas.
A pesquisadora defendeu tese de doutorado sobre o assunto no Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre.
O modelo já foi testado na bacia do Rio Iguaçu, com resultados positivos, e é capaz de prever o crescimento ou declínio das vazões em um reservatório. Atualmente, os responsáveis pela operação de usinas hidrelétricas conseguem prever uma enchente com 12 horas de antecedência.
Além de ampliar o alcance da previsão - e garantir um tempo maior para a tomada de decisões na usina - será possível otimizar os níveis de água e deixar o reservatório mais cheio, aumentando a capacidade de geração da usina, explica a pesquisadora, que atua desde 1984 na área.
Segundo ela, a usina poderia produzir 43 mil megawatts a mais por enchente, e o ganho com isso seria de aproximadamente US$ 1,5 milhão.
Segundo a pesquisadora, a Copel e outras companhias de energia (como a do Rio Grande do Sul) já demonstraram interesse em aplicar o projeto, mas seriam necessários alguns investimentos. A empresa tem que desenvolver um software para tornar a metodologia operacional, treinar profissionais e, no caso do Iguaçu, fazer o levantamento da topografia no leito do rio, explica.
Miriam Rita Mine observa que o modelo pode ser utilizado para qualquer reservatório de usina hidrelétrica, mas principalmente na Região Sul - onde pode haver enchentes no inverno ou no verão. Em cidades do Sudeste, as enchentes ocorrem mais no verão e é mais fácil controlar a vazão, comenta ela.





