Pesquisadora crê que resgate da memória é possível
Para a pesquisadora do Museu de Arquelogia e Etnologia de Paranaguá (Maep), Carmen Lúcia da Silva, o resgate da memória dos xetás não é impossível. De acordo com a etnóloga, caso os governos estadual e federal proporcionem espaço e tempo para que os xetás se organizem, o renascimento da língua e da cultura deve acontecer naturalmente.
Em 1997, ela reuniu os últimos oito xetás e alguns dos 43 descedentes num encontro em Curitiba. Eles produziram um documento pedindo seu reconhecimento, com indenização de terras e moradia.
Carmen considera que qualquer intervenção deve ser bem estudada, para não causar mais danos aos índios. O trauma que eles viveram foi muito grande, diz. Em depoimentos que ela coletou para sua tese de mestrado, as índias Tinguá Eirakã e Maria Rosa Tinguá Brasil contaram que ficaram caladas durante um ano, quando foram retiradas das famílias para serem colocadas em casas de famílias brancas. Hoje, as duas guardam pouco da memória xetá, esquecendo até a língua materna (xetá), uma variação do tupi-guarani. Esquecer a língua foi uma forma delas se protegerem do preconceito contra os índios, diz.
A pesquisadora acredita que a melhor forma de tentar recuperar a memória xetá é reuni-los para conversas. Ela conta que, quando juntos, eles começam a narrar situações e ritos típicos. A próxima etapa do meu trabalho será juntar estes costumes, conta.
O trabalho de Carmen deve se somar a outro feito nos anos 50 pelo estudioso Vladimir Kozák. Na época da colonização, Kozák filmou e fotografou o trabalho das expedições que procuraram os xetás, que perambulavam pelas matas da região de Umuarama.





