Pesquisador recebe da UEL título Honoris Causa
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sexta-feira, 02 de dezembro de 2005
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
O retrato da Amazônia feito pelo agrônomo, professor e pesquisador francês Alain Ruellan mostra em primeiro plano o homem e sua ocupação da região, considerada o pulmão do mundo, sob a perspectiva do desenvolvimento sustentável. Um prognóstico que se opõe a alguns que levantam a bandeira de defesa do imenso tapete verde intocável, abrindo uma clareira na floresta para o futuro em que seria possível explorar as riquezas naturais sem destruir o meio ambiente.
Há mais de 15 anos, Ruellan desenvolve pesquisas com a participação de professores da Universidade Estadual de Londrina (UEL), instituição que ontem concedeu ao pesquisador o título de professor Honoris Causa em solenidade realizada na Sala dos Conselhos, na reitoria.
''Tenho a honra de receber essa homenagem. Possuo muitos amigos e colegas nesta instituição. O trabalho que eu faço é apenas uma contribuição para a UEL e outras universidades brasileiras'', comenta Ruellan.
Filho do geógrafo francês Francis Ruellan, que participou da missão que fez os levantamentos topográficos para a escolha da região onde seria a capital brasileira - estudos que levaram em consideração quatro áreas em Minas Gerais e outras quatro em Goiás - o pesquisador tinha 16 anos quando acompanhou o pai na expedição ao cerrado.
A imagem dos incêndios, comuns na região, ainda surpreendem a lembrança de Ruellan, professor aposentado pela Escola Superior de Agricultura de Rennes. Aos 74 anos, ele ainda se mantém incansável no trabalho de pesquisa.
A Amazônia de Ruellan não poderia se abrir para a colocação de pastagens, plantio de monoculturas e construções de barragens hidrelétricas, considerada uma estratégia que navega contra a correnteza econômica, social e ecológica.
Além da falta de políticas, o pesquisador aponta a sombra da falta de conhecimentos científicos e tecnológicos sobre o desenvolvimento sustentável da Amazônia.
Para o pesquisador, o desenvolvimento da região depende de um melhor conhecimento da diversidade das sociedades humanas, que vivem na Amazônia e a valorização dos recursos renováveis e dos ecosssitemas.
Nascido em Bourg-la-Reine mas residindo em Montpellier, na França, desde 1957, Ruellan começou a desenvolver pesquisas em Ciência do Solo no país natal, Marrocos e Senegal.
No Brasil, ele participa de pesquisas em várias universidades, desenvolvendo estudos sobre a relação entre sociedade e solo e o desenvolvimento sustentável.
O pesquisador tem estudado o desenvolvimento do solo através da atividade humana, o que se chama sistemas pedológicos.
Ele lembra que essas atividades, geralmente, são mais destrutivas que construtoras. ''Muitas atividades acabam destruindo o solo, favorecendo o aparecimento de erosões, por exemplo, provocando a degradação de estruturas com a diminuição de atividades físicas e químicas do solo. O problema também atinge todas as áreas em relação com o solo, como a qualidade da água'', afirma Ruellan, lembrando que algumas sociedades no mundo já conseguem equilibrar o fiel desta balança.
''Existem algumas sociedades na Ásia que ajudam a construir o solo, garantindo a sobrevivência da população em condições difíceis, inclusive conseguem melhorar a atividade do solo. Na América Latina podemos citar populações dos Andes, que souberam se organizar para melhorar as condições do solo'', acrescenta o pesquisador.


